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Mundo

ONU prevê mais de 165 mil mortos na Ásia

Número de vítimas continua subindo no Sudeste Asiático. Forças Armadas alemãs preparam instalação de um hospital de campanha. EUA, Austrália e Nova Zelândia abastecem regiões atingidas por via aérea.

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Em algumas regiões, ajuda só chega de helicóptero

Helicópteros da marinha dos Estados Unidos decolam incessantemente do porta-aviões "Abraham Lincoln" para levar pacotes de alimentos e remédios às regiões isoladas na costa de Banda Aceh, na Indonésia. Operações semelhantes são realizadas pelos exércitos da Austrália e Nova Zelândia.

Os pilotos são recebidos como verdadeiros salvadores pelos sobreviventes que há dias esperam desesperadamente por água potável e um punhado de arroz. Eles contam ter visto milhares de pessoas fugindo para a capital, milhares em abrigos provisórios e muitos feridos que ainda esperam os primeiros socorros.

Enquanto isso, uma delegação de nove soldados das Forças Armadas alemãs planeja no setor militar do aeroporto de Aceh a instalação de um hospital de campanha com 120 médicos e enfermeiros, para socorrer os feridos. "Primeiro, precisamos ver o que podemos oferecer", disse o médico comandante Jürgen Canders.

Ele rebateu a crítica de que o exército alemão está atrasado. "Diante da enorme destruição, precisam ser implementadas medidas de auxílio de longo prazo", disse. O avião-hospital Berlin, com 45 leitos, que estava estacionado no Chifre da África, já está a caminho de da Ilha de Sumatra.

No total, oito organizações da ONU, a Cruz Vermelha Internacional e 21 organizações não-governamentais de todo o mundo atuam em Banda Aceh, onde ainda há riscos de epidemia, devido a milhares de cadáveres soterrados sob avalanches de destroços e lama.

Segundo Canders, "a ajuda humanitária chega de forma completamente descoordenada. O principal problema é a distribuição".

Números da catástrofe

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Sobreviventes à espera da distribuição de donativos no Sri Lanka

Até a tarde desta segunda-feira foram confirmadas cerca de 140 mil vítimas fatais, nos seguintes países: Indonésia: 94.081, Sri Lanka: 30.196, Índia: 9.479; Tailândia: 5.187; Somália: 200; Birmânia: 90; Ilhas Maldivas: 80; Malásia: 68; Tansânia: 10; Bangladesch: 2; Quênia: 1. Levando em conta a população de 20 milhões de habitantes, Sri Lanka é o país mais atingido.

Apesar das notícias de salvamentos espetaculares, as autoridades dos países atingidos suspenderam as buscas em muitas regiões, por não acreditarem mais nas chances de sobrevivência dos desaparecidos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que a catástrofe ao redor do Oceano Índico pode ter causado bem mais do que 165 mil mortos. Milhares de sobreviventes ainda esperam por ajuda. Faltam helicópteros para levar donativos a cerca de um milhão de necessitados.

Enquanto isso, no sul da Índia, montanhas de roupas e alimentos cozidos estariam se deteriorando à beira das estradas. Voluntários de todo o país teriam levado os mantimentos às pressas para os povoados destruídos, mas o que os sobreviventes mais precisam agora são toaletes móveis, arroz, xaropes de vitamina, colchões e cobertores.

Doações e três minutos de silêncio

A população alemã já doou mais de 50 milhões de euros para as vítimas da catástrofe do Sudeste Asiático. Deste total, 11,3 milhões foram coletados pela Cruz Vermelha, cerca de 20 milhões pelo Unicef e a organização Médicos Sem Fronteiras (metade cada) e mais de 9 milhões pela Ação Alemanha Ajuda.

O ministro alemão do Interior, Otto Schily, convocou os alemães a realizarem três minutos de silêncio, na próxima quarta-feira (05/01), ao meio-dia, em memória das vítimas da catástrofe, conforme sugestão do Conselho Europeu. Os 25 países-membros da UE devem hastear suas bandeiras a meio mastro e interromper suas atividades por três minutos, nesse dia.

Criminosos abusam da tragédia alheia

A tragédia provocada pelo maremoto está sendo explorada por criminosos de todo tipo. Em Khao Lak, na Tailândia, ladrões trajando uniformes policiais assaltaram hotéis. No Sri Lanka, há denúncias de que mulheres sobreviventes foram violentadas nos acampamentos de refugiados.

A Suécia suspendeu a publicação de nomes de desaparecidos, porque suas casas viraram alvos de assaltos. Na Noruega, a polícia suspeita que criminosos estariam tentando entrar na lista dos desaparecidos para obter uma nova identidade. A polícia inglesa prendeu um homem que enviava "e-mails de condolências" a familiares de desaparecidos.

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