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Mundo

ONU alerta para "maior fome" das últimas décadas no Iêmen

Situação que já era grave piora após bloqueio a portos e aeroportos imposto por coalizão internacional que combate rebeldes. Cerca de 7 milhões estão à beira da fome no país, que ainda enfrenta surto de cólera.

Criança aguarda tratamento em hospital de terapia alimentar em Saana, no Iêmen

Criança aguarda tratamento em hospital de terapia alimentar em Saana, no Iêmen

O Iêmen, país assolado pela guerra civil, enfrentará a "maior [crise de] fome que o mundo viu nas últimas décadas, com milhões de vítimas", alertou a ONU.

O envio de ajuda humanitária ao país árabe foi interrompido no início da semana após um bloqueio aos portos, aeroportos e estradas imposto pela coalizão de países sunitas liderada pela Arábia Saudita, que combate a insurgência dos rebeldes houthis no país desde março de 2015.

Leia também: Fome volta a crescer no mundo após mais de uma década

Em reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira (08/11), o o secretário-geral adjunto para assuntos humanitários da entidade, Mark Lowcock, exigiu o "acesso imediato" a todos os portos marítimos e aeroportos para que o país possa receber combustíveis, alimentos e outros recursos essenciais, além de garantias por parte da coalizão de que não haverá novos bloqueios.

A coalizão decidiu bloquear as fronteiras do país após um míssil lançado pelos houthis ser interceptado próximo ao aeroporto de Riad. A ONU, que já havia apontado que o Iêmen enfrenta a maior crise humanitária em todo o mundo, criticou a decisão, alertando para a situação catastrófica no país.

A Suécia, que convocou a reunião do Conselho de Segurança para tratar da situação no Iêmen, advertiu que 21 milhões de pessoas necessitam de ajuda, entre as quais, sete milhões que estão à beira da fome.

Além do problema da fome, o país também atravessa um surto de cólera que já deixou mais de 2 mil mortos. A Cruz Vermelha informou que um carregamento de medicamentos para combater a doença teve sua entrada bloqueada na fronteira norte do Iêmen na última terça-feira. A organização humanitária Médicos sem Fronteiras (MSF) relatou que a coalizão negou o acesso de aviões que levariam ajuda ao país nos últimos dias.

Os membros do Conselho de Segurança da ONU expressaram preocupação com a gravidade das condições humanitárias no Iêmen e reforçaram a "importância de manter os portos e aeroportos em funcionamento", segundo afirmou o embaixador da Itália na ONU, Sebastiano Cardi, país que exerce a presidência rotativa do Conselho. 

Segundo Cardi, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, conversou por telefone com o ministro saudita do Exterior, Adel al-Jubeir, que teria dado "indicações de que [os países da coalizão] estariam avaliando a reabertura dos pontos de entrada no Iêmen".

RC/lusa /afp 

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