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Mundo

ONU a caminho de uma nova ordem mundial?

As propostas de mudanças nas estruturas das Nações Unidas são inúmeras. A União Européia luta por uma vaga como membro permanente do Conselho de Segurança e Schröder defende a inclusão da Alemanha no grêmio.

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Schröder e Annan em Nova York: mudanças necessárias em meio à guerra de interesses

Resistente a reformas a Organização das Nações Unidas tem sido desde sua fundação. No caldeirão internacional de interesses, vence, como é de praxe, sempre a vontade do mais forte. Recapitulando as desavenças que tumultuaram os corredores da organização antes e durante a guerra no Iraque, seu secretário-geral, Kofi Annan, conclama a comunidade internacional, durante a 58ª Assembléia das Nações Unidas, a empreender "reformas radicais".

Estas incluiriam uma eventual mudança da sede da ONU de Nova York para Genebra, a entrada da Alemanha, Brasil e outros países do chamado Terceiro Mundo como membros permanentes do Conselho de Segurança, além da perda do poder de veto de uma única nação no grêmio. Sondada é ainda a criação de um Exército da organização, formado por contingentes de vários países, destinado a ficar a postos para situações de emergência.

Alemanha na fila

O premiê alemão, Gerhard Schröder, anunciou através de seus assessores a disponibilidade do país em "assumir um papel de maior responsabilidade" nos quadros da ONU, citando que o país é o terceiro maior financiador da organização. Isso significa que Berlim ambiciona o posto de membro permanente do Conselho de Segurança. Os mesmos propósitos já foram manifestados pela Itália, Japão, Brasil, México, Argentina, África do Sul e Nigéria.

Cadeira comum, apesar das divergências

Europäisches Paralament in Strassburg

Sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo

Um acordo final definindo o who’s who em uma nova ordem dentro dos quadros da ONU pode ser visto ainda como mera utopia, considerando que nem mesmo as respectivas regiões do planeta conseguem definir quem vão enviar como representantes. De Estrasburgo, o Parlamento Europeu ecoa com uma reivindicação peculiar: uma cadeira comum para a União Européia como membro permanente do Conselho de Segurança, mesmo considerando que o bloco de países está longe de ser coeso em suas posições geopolíticas e estratégicas.

Ainda que as divergências entre os países da UE frente à recente guerra no Iraque ainda estejam registradas na memória dos parlamentares europeus como uma experiência traumática, um lugar permanente no Conselho de Segurança é ainda assim visto com bons olhos. A atual configuração do grêmio, segundo o democrata-cristão Armin Laschet, membro do Parlamento Europeu, está ultrapassada.

"Não precisamos de um terceiro membro europeu no Conselho, como a Alemanha, mas que a UE – que ganha agora maior personalidade jurídica através de sua Constituição – possa atuar internacionalmente. Um ministro europeu do Exterior poderia representar os países do bloco no Conselho de Segurança da ONU", completa Laschet.

Quem financia deve dar as cartas?

A proposta de que a Alemanha possa reivindicar seu lugar é revidada pelo parlamentar com o argumento de que os italianos, por exemplo, "poderiam dizer: então queremos também". Afinal, a Itália têm 60 milhões de habitantes e um PIB até maior que o do Reino Unido, hoje membro permanente do Conselho.

"Como a UE é o maior financiador da ONU, arcando com 40% de seu orçamento, faz sentido que seus países reivindiquem maior influência política. Esse é o objetivo a curto ou médio prazo, a ser alcançado em um espaço de tempo de até cinco anos", conclui Laschet.

Encontros bilaterais e discussões idiotas

Resta esperar para ver até que ponto os interesses dos mais ricos, dos mais poderosos, dos mais "sedentários" e dos mais teimosos irão ser respeitados ou não. É provável que os diversos encontros bilaterais de chefes de governo (como o agendado para esta quarta-feira -24/9 - entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler alemão Gerhard Schröder), paralelos à Assembléia Geral da ONU, tragam maiores resultados do que as cerimônias oficiais.

Afinal, as reuniões mantêm uma tradição de "discussões terrivelmente penosas e às vezes completamente idiotas", desabafa ao diário Süddeutsche Zeitung um diplomata bem treinado em assistir a espetáculos do gênero.

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