1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

ONG denuncia violação sistemática dos direitos dos médicos na Síria

Organização Médicos Sem Fronteiras diz que hospitais e pacientes estão sob fogo cerrado e cobra maior pressão sobre o regime de Assad. Grupo pede mais ajuda para continuar operando no país.

Há poucas semanas, mais um médico foi morto na cidade de Aleppo. “Alguns policiais aforam até o seu consultório e simplesmente atiraram nele”, conta um médico sírio que vive na Alemanha. Amigo da vítima, ele não quer ser identificado por temer represálias.

O médico havia se recusado a cooperar com as forças de segurança sírias e foi executado no dia seguinte. “Na Síria, hospitais, médicos e pacientes são alvos frequentes”, explica o diretor do escritório alemão dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), Tankred Stöbe.

A organização mantém cinco hospitais na Síria, abrigados discretamente em casas residenciais ou nas montanhas. A localização das clínicas é mantida em segredo para proteger pacientes, médicos e funcionários. Na Síria, em torno de 60% dos hospitais e 80% das ambulâncias foram destruídas nos combates, que já duram mais de dois anos. O sistema de saúde do país está à beira do colapso.

Ärzte ohne Grenzen Tankred Stöbe

O médico Tankred Stöb da organização Médicos Sem Fronteiras da Alemanha

Na conferência anual dos Médicos sem Fronteiras em Berlim, Stöbe ressaltou que a questão da segurança na Síria é extremamente complicada. Os médicos, afirma, estão frequentemente sob fogo cerrado. “Não há garantias de segurança para o nosso pessoal”, diz Frank Dörner, diretor da organização.

As leis humanitárias internacionais garantem proteção especial a hospitais, médicos e pacientes, o que significa que não podem sofrer ataques das partes envolvidas nos conflitos. Mas, nos últimos anos, os médicos observam que há uma preocupante tendência à ruptura desses limites.

Stöbe alerta que proteção internacional está seriamente comprometida. Nas guerras do Iraque e da Líbia, médicos e ambulâncias eram alvos de ataques. Dörner explica que na Síria, essas ocorrências já vêm acontecendo com frequência e que, tudo indica, deverão continuar.

Pedido de doações

A organização opera por conta própria apenas nas áreas controladas pelos rebeldes, uma vez que o regime sírio lhes nega acesso. Mesmo na cidade de Kusair, local de intensos combates que deixaram centenas de civis feridos, os Médicos Sem Fronteiras são proibidos de atuar.

syrien regierungsarmee kusair assad truppen panzer

Os combates em Kusair deixaram muitas vítimas, mas a MSF não tem acesso à cidade

Ainda assim, a MSF dá apoio às redes de médicos e hospitais sírios nas áreas controladas pelo regime através do envio de medicamentos. Stöbe pediu ao governo alemão que pressione o regime sírio, de modo que permita o acesso de ajuda humanitária no país.

Uma comissão investigadora das Nações Unidas apontou o uso de armas químicas no conflito, ainda que sem dizer se por parte dos rebeldes ou do regime de Bashar al-Assad. Stöbe afirma que nos hospitais da MSF não houve nenhum caso de pacientes com sintomas que pudessem indicar isso.

A organização analisa que o conflito não tem perspectivas de terminar. A população síria precisará de ajuda nos próximos meses e até anos, observou Stöbe, ao mesmo tempo em que pedia mais doações para sua organização. Apenas para esse ano, a MSF estima precisar de 31 milhões de euros para poder operar no país. Stöbe alerta que, com a situação da forma que está, logo poderá precisar de ainda mais recursos.

Leia mais