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Economia

Onde estão os milhões da UE para a Palestina?

De 2002 a 2003, a União Européia depositou a cada mês US$ 10 milhões em contas palestinas, sem perguntar pela destinação. A morte de Arafat dá espaço a especulações incômodas, que vão do terrorismo à viúva Suha.

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Suha Arafat conversa com oficial israelense

A revista norte-americana Forbes incluiu Yasser Arafat entre os seis reis e déspotas mais ricos do mundo, com uma fortuna calculada em 300 milhões de dólares. O serviço secreto israelense vai mais longe: o líder palestino haveria reservado cerca de 700 milhões de dólares para o caso de um exílio forçado.

Há cerca de um ano, o Fundo Monetário Internacional revelou que pelo menos 900 milhões de dólares haviam sumido das caixas públicas palestinas, através de um inextricável sistema de contas numeradas e firmas de fachada. Os indícios levavam sempre à União Européia como fonte das somas milionárias.

Milhões e carta branca

A UE está entre os principais financiadores dos palestinos. Entre 2002 e 2003, ela depositou mensalmente dez milhões de euros nos cofres da Autoridade Palestina, sem exigir comprovantes da utilização das verbas. Não há praticamente dúvida de que as somas, em princípio destinadas a escolas, hospitais e projetos agrícolas, serviram em boa parte para sustentar um aparato burocrático inflacionado, recheado com protegidos de Arafat, a régios salários.

Israel levantou a suspeita de que os cofres públicos palestinos estariam sendo fonte de renda para terroristas, possivelmente empregados como forças de segurança. O governo israelense também acusou a UE – ao conceder tamanhas verbas sem questionar sua destinação – de estar fomentando involuntariamente o terrorismo.

Após investigações, a Comissão Executiva do bloco europeu considera o assunto encerrado: segundo ele, o sistema de comprovação era sólido, só sendo feitos novos depósitos após a quitação dos anteriores. Os fiscais da UE classificaram as "provas" em contrário apresentadas por Israel como meras afirmações sem fundamento ou como fatos relativos a uma época quando a UE ainda não contribuía para os palestinos.

O Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF) ainda está realizando uma sindicância, cuja conclusão provisória, divulgada em agosto, foi: "Até o momento não há evidências de que verbas da UE hajam sido desviadas para financiar o terror ou outros fins ilegais". Atualmente a UE abandonou a prática da "carta branca" e só financia projetos específicos nos territórios palestinos.

A viúva Arafat

Durante a agonia de Arafat, uma outra figura ganhou projeção negativa nesse quadro de dúvidas e corrupção: a viúva Suha que, de esposa há muito esquecida, passou a dominar as manchetes como a loura ávida dos bens do moribundo, possivelmente oriundos de fontes ilegais.

O certo é que seu modo de vida está longe de ser modesto e vários milhões andaram fluindo de contas numeradas na Suíça para as da viúva Arafat em Paris. Colocou-se a questão: será que o contribuinte europeu é quem paga pelo luxo de Suha Arafat? Com o dinheiro destinado a preservar a agonizante Autoridade Palestina do colapso total? As autoridades francesas também estão curiosas e investigam a questão.

A situação é extremamente delicada, porém o deputado Armin Laschet, do Parlamento Europeu, defende medidas claras: "Acho que a UE deveria tomar uma posição, dizendo: não se trata de fortuna pessoal, mas sim de dinheiro do povo palestino. Ela deveria fazer todo o possível para congelar o que está nas contas dentro da UE e pressionar a Suíça para que esse dinheiro não desapareça pelos canais particulares da Sra. Arafat ou de quem quer que seja".

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