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Mundo

Onde estão os alemães?

O atentado contra a ONU, em que morreu Sérgio Vieira de Mello, reforça clamor por um papel mais forte da organização no Iraque e gera novo debate sobre a ausência de alemães, franceses e russos no conflito.

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Ferido é retirado dos escombros

O argumento para que Alemanha, França e Rússia mandem soldados ao Iraque é simples: como potências de ocupação, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha são os únicos encarregados pela segurança no Iraque, mas não podem garantir a vida nem sequer de seus próprios soldados, quanto mais proteger os funcionários da ONU de ataques assassinos.

Depois do atentado a bomba que destruiu a sede da ONU em Bagdá, na terça-feira, deixando um saldo de 24 mortos até agora e 100 feridos, Washington e Londres estão trabalhando com todo esforço no discurso planejado para a apresentação do seu balanço desde o fim dos principais combates no Iraque ao Conselho de Segurança, em Nova York, nesta quinta-feira (21).

Ação de países amigos - Depois desse atentado "americanos e britânicos não podem mais vender a imagem de um Iraque morro acima", segundo um diplomata europeu na ONU. Por isso a questão agora é a pacificação do país com ação de tropas de países amigos, com ou sem mandato da ONU. Quer dizer, sob a bandeira das Nações Unidas ou do comando dos EUA e da Grã-Bretanha.

O secretário de Estado, Colin Powell, é favorável, segundo diplomatas em Nova York, a um novo mandato do Conselho de Segurança para uma ação adicional de tropas sob a bandeira da ONU. O vice-presidente Dick Cheney e o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, ao contrário, querem a continuação do curso atual. Ambos concordariam com uma internacionalização do Iraque, mas só sob comando dos Estados Unidos.

Cadê os alemães – O atentado contra funcionários da ONU está servindo para encostar na parede as potências opostas à guerra que derrubou o regime de Saddam Hussein. "Berlim não pode se abstrair mais por longo tempo da questão de como pensa em atuar nessa internacionalização", disse um diplomata britânico. O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Per Stig Moller, exigiu que Alemanha, França e outros adversários da guerra enviem soldados para cooperar com a pacificação do país. "Mais países têm que ajudar enquanto elaboramos um mandato da ONU", cobrou Moller.

Um diplomata de alto nível da ONU qualificou como evasivas as declarações do ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, sobre o atentado em Bagdá. O político do Partido Verde havia condenado o ato terrorista, exigido a punição dos culpados e dito que a morte de Sérgio Vieira de Mello compromete a ONU a prosseguir com a sua obra no Iraque, mas não falou de um possível papel militar da Alemanha na região mais perigosa no mundo no momento. Seu colega da Defesa, Peter Struck, já admitiu uma missão alemã, mas no âmbito da OTAN e com mandato da ONU. O chanceler federal, Gerhard Schröder, vem evitando o assunto.

Ex-encarregado da ONU para o Iraque, o político alemão Hans von Sponeck advertiu contra envio de soldados alemães ao Iraque. Seria condená-los ao sacrifício, segundo ele.

Papel maior para ONU - O atentado mostrou o que estava claro desde o início: que as Nações Unidas não seriam aceitas automaticamente pela população iraquiana, se os Estados Unidos não lhes entregassem um papel mais forte, segundo editorial do jornal alemão Südddeutsche Zeitung. "Esse ataque trágico pode servir para que os EUA e a ONU cooperem entre si", opinou o diário britânico The Times.

Para o Corriere Della Sera, a explosão do carro-bomba no prédio da ONU em Bagdá mostrou que não é possível nem sensato uma solução exclusivamente militar, como Washington tentou até agora. Seria necessário um papel direto da ONU e todos os europeus e asiáticos devem cooperar na reconstrução do Iraque, segundo o jornal italiano.

Incompetência - Para o seu concorrente La Repubblica, os autores quiseram mostrar que a forças de ocupação norte-americanas são incompetentes.

O alemão Die Zeit compartilha essa opinião. Sua edição desta quarta-feira traz um levantamento dos últimos atentados no Iraque e diz que o Exército americano parece não saber quem está atrás deles. Às vezes diz que são combatentes árabes para ganhar dinheiro por americanos mortos, outras vezes seriam partidários do ditador destituído Saddam Hussein ou simplesmente criminosos para ganhar dinheiro com sabotagem.

O francês Libération adverte que "única esperança de se evitar o pior é uma intervenção maciça da comunidade internacional no Iraque, sob a bandeira da ONU".

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