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Mundo

Onda de atentados agrava indignação na Nigéria

Governo Goodluck Jonathan é criticado por sua inação contra o grupo Boko Haram, principal suspeito pelos ataques que custaram a vida de mais de 140 pessoas. Observadores temem eclosão de conflito interreligioso.

Uma onda de atentados, inicialmente atribuídos Boko Haram, deixou mais de 140 mortos na Nigéria entre terça e quarta-feira (21/05) e elevou a indignação no país com a incapacidade do governo de deter o terrorismo islâmico. Somente em 2014, mais de 2 mil pessoas foram mortas em ataques do grupo radical, que se intensificaram nos últimos meses.

No dia seguinte à dupla explosão que matou mais de cem pessoas na cidade de Jos, no centro da Nigéria, o presidente Goodluck Jonathan tachou de "cruéis" os perpetradores dos atentados. Pouco após sua declaração, ao menos 30 pessoas foram mortas a tiros em outro suposto ataque do Boko Haram, desta vez na cidade Shawa, no norte do país.

"O presidente Jonathan gostaria de assegurar a todos os nigerianos que este governo segue comprometido a vencer a guerra contra o terrorismo. Sua administração não será intimidada pelas arruaças de inimigos do progresso e da civilização humana", declarou o chefe de Estado nigeriano em nota.

Bombas e estudantes raptadas

Em 14 de abril, dois ataques a bomba na capital nigeriana, Abuja, fizeram mais de 120 vítimas. Na noite do mesmo dia, os radicais raptaram 276 alunas de uma escola na localidade de Chibok. A inércia do governo Jonathan em libertar as vítimas provocou indignação internacional, expressada em protestos e campanhas encabeçadas por celebridades como Michelle Obama.

Em reação, o governo decretou estado de emergência em três cidades do norte e iniciou uma pesada intervenção militar, suscitando críticas por parte de ativistas dos direitos humanos e observadores. Exército e polícia são acusados de graves violações dos direitos humanos em seu combate ao Boko Haram.

"O norte da Nigéria não é nada seguro. O governo precisa corresponder às expectativas", comentou à DW Ibrahim Baba Hassan, representante da cidade Jos na Assembleia Nacional.

Nigeria Soldaten Militär Boko Haram

Militares nigerianos acusados de violar direitos humanos no combate ao Boko Haram

Enquanto as famílias pranteiam os mortos e os sobreviventes procuram superar o choque físico e psicológico, nesta quarta-feira (21/05) equipes de resgate em Jos seguem vasculhando os destroços deixados pelos dois carros-bomba.

A primeira bomba explodiu num movimentado mercado, no centro da cidade. Segundo informou o comissário de polícia do estado nigeriano de Plateau, Chris Olakpe: "Houve uma segunda explosão 20 ou 30 minutos mais tarde, nas proximidades. Ela ocorreu num ônibus, cujo motorista havia freado para investigar o porquê da retenção."

Essa segunda detonação matou diversos funcionários das equipes de resgate e voluntários que haviam acorrido ao local para assistir às vítimas da primeira bomba. Nas palavras do deputado Ibrahim Baba Hassan, "pedaços de corpos humanos estavam espalhadas pelo chão ". Bombeiros passaram a noite combatendo as chamas provocadas pelas explosões.

Campanha sangrenta desde 2009

Até o início da noite da quarta-feira, as equipes haviam retirado pelo menos 118 cadáveres dos escombros, e 64 pessoas estavam recebendo tratamento hospitalar. "Não excluímos a possibilidade que vamos encontrar mais corpos", comentou Olakpe. Centenas de cidadãos acorreram aos hospitais à procura de amigos ou familiares ainda dados como desaparecidos.

Nigeria Bombenanschlag auf einen Markt in Jos 20.05.2014

Operações de resgate prosseguem em Jos

Os ataques traziam as marcas registradas da seita islamista Boko Haram, que desde 2009 empreende uma campanha sangrenta contra o governo da Nigéria. O grupo não reivindicou oficialmente as explosões em Jos e Shawa, mas é o principal suspeito, devido a seu histórico de atentados a bomba, tanto no norte do país como na capital Abuja.

Jos se situa na região do Middle Belt (Cinturão Central), que divide o norte, predominantemente muçulmano, do sul cristão, e constitui um foco de violência. Observadores expressam temor de que os atentados venham a desencadear uma nova série de choques interreligiosos.

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