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Mundo

Onda de ataques deixa dezenas de mortos no Afeganistão

A pouco mais de duas semanas do fim da missão militar internacional no país, talibãs assumem autoria de diversos ataques – que ocorrem no mesmo dia em que ministra alemã de Defesa faz visita surpresa a tropas.

A pouco mais de duas semanas do fim da missão militar da Otan no Afeganistão, uma onda de violência em diferentes partes do país neste sábado (13/12) causou mortes e aumentou a tensão em solo afegão. O talibã reivindicou a autoria dos ataques.

Os atentados coincidiram com a visita surpresa da ministra alemã da Defesa, Ursula von der Leyen, a soldados alemães na manhã deste sábado, na região de Hindu Kush, para falar sobre a nova missão deles junto a tropas internacionais no Afeganistão a partir do ano que vem.

Ataque a alto funcionário de tribunal

Logo pela manhã, um homem armado atirou e matou Atiqullah Raufi, alto funcionário do Tribunal Superior do Afeganistão. Segundo um porta-voz da polícia, Raufi, que era chefe de uma secretaria do tribunal, estava saindo de casa a caminho do trabalho, em Cabul.

Mais tarde, 12 homens foram mortos ao serem atacados por radicais armados, enquanto trabalhavam na retirada de minas terrestres no sul do país, na província de Helmand. Três insurgentes foram mortos pelas forças de segurança, outros quatro foram capturados.

Pelo menos seis soldados afegãos morreram em um ataque a um ônibus em Cabul, que deixou vários feridos. De acordo com um porta-voz da polícia, a bomba explodiu próximo à porta do veículo, onde os soldados estavam sentados. Um dia antes, dois soldados da Otan haviam sido mortos no leste do país, segundo a Força Internacional de Assistência para a Segurança no Afeganistão (Isaf).

Apesar de reivindicar a autoria dos atentados, o talibã não explicou o motivo. Recentemente, os fundamentalistas vêm intensificando os ataques, que na maioria das vezes tem como alvo oficiais do governo, tropas de segurança e internacionais.

Ursula von der Leyen in Afghanistan

Ministra Ursula von der Leyen em visita ao Afeganistão neste sábado: situação no país é "frágil"

Retirada com "prudência"

Durante visita surpresa, a ministra alemã da defesa, Ursula von der Leyen, ressaltou que a nova missão internacional no Afeganistão precisa ser conduzida até o final "com prudência, e também com tempo suficiente".

Ela fez alerta para que a retirada completa dos soldados internacionais do solo afegão não seja feita de maneira "abrupta", dada a instabilidade e a situação "de fragilidade" do país. Von der Leyen disse ainda que toda a cautela é necessária para garantir os resultados obtidos ao longo dos últimos anos com a presença militar no Afeganistão.

Esta foi a terceira visita da ministra alemã ao país desde que assumiu a pasta da Defesa, há um ano. "Se olharmos para trás, vários fatores mostram que o [envolvimento do Ocidente] fez sentido", afirmou neste sábado a ministra que sempre defendeu a missão internacional em solo afegão.

Depois de 13 anos, no fim de dezembro encerra-se oficialmente a missão militar da Otan no Afeganistão. No entanto, cerca de 12 mil soldados de pelo menos 40 países permanecerão no país para treinar e orientar tropas nacionais.

A Alemanha pretende enviar cerca de 850 soldados, mas a medida ainda precisa ser aprovada pelo Bundestag. Até então, aproximadamente 1,2 mil soldados alemães estavam estacionados no Afeganistão.

MSB/rtr/dpa/ap/afp

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