1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

AIDS

OMS quer popularizar autotestes de HIV

Projeto da Organização Mundial da Saúde tenta levar autotestes a população carente. Objetivo é disseminar métodos caseiros como forma de dar a pacientes de países pobres acesso mais fácil ao diagnóstico.

Metas e objetivos podem ser positivos e negativos. As Nações Unidas têm alguns poucos para o caso da aids. Um deles é acabar com a epidemia de HIV até 2030. Não que o HIV seja erradicado, mas que a epidemia, como está em 2016, com 37 milhões de pessoas vivendo com o vírus, seja controlada.

Também existem as metas "90-90-90", mais imediatas para a ONU, visando que, até 2020, 90% de todos os infectados com HIV conheçam sua condição de soropositivos, 90% deles se tratem e que 90% dos que recebem terapia antirretroviral tenham supressão viral durável.

É um objetivo ambicioso. Dados de 2015 do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) sugerem que apenas 54% das pessoas vivendo com HIV conhecem sua situação.

Acesso a diagnóstico é problema

Até agora, um dos principais problemas tem sido o acesso a serviços médicos. Uma gama crescente de kits de autoteste de HIV, no entanto, está trazendo esperança renovada de que os objetivos 90-90-90 sejam alcançados.

Os kits possibilitam testes em áreas remotas. Mas, como a tecnologia ainda não testada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou novas diretrizes para sua popularização.

"Trabalhamos bem em maternidades, distribuímos a muitas mulheres nesses estabelecimentos. Em alguns países até 80% das mulheres já sabem sua condição de soropositivas", diz a médica Rachel Baggaley, que supervisiona o projeto de autoteste de HIV na OMS.

"No entanto e os homens e os integrantes das assim chamadas populações-chave – homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, transgêneros, usuários de drogas injetáveis e presos – têm taxas muito mais baixas de testes."

Projeto leva autotestes à África

A OMS se uniu à iniciativa internacional Unitaid e à ONG PSI, ligada à saúde, para realizar na África o projeto de HIV chamado STAR. A primeira fase é no Malawi, Zâmbia e Zimbábue, a segunda, na África do Sul.

Teste de HIV criado pelo Imperial College London possibilita diagnóstico através de pen drive

Teste de HIV criado pelo Imperial College London possibilita diagnóstico através de pen drive

O projeto usa uma variedade de dispositivos para constatar como os autotestes podem ser distribuídos e usados em comunidades. O objetivo é "catalisar" o mercado de autotestes de HIV e gerar evidências sobre viabilidade, aceitabilidade e custos, para as empresas poderem produzir dispositivos de alta qualidade.

"Vemos que gente mais acostumada com tecnologia, mais urbana, é mais capaz de usar um kit de autoteste e seguir as instruções. Mas os das comunidades rurais, ou que fazem isso pela primeira vez, talvez precisem de um pouco de apoio – grupos comunitários que podem fazer uma demonstração ou apoiá-los, caso o teste seja positivo", relata Baggaley.

Um dos kits que o projeto STAR usa é um teste de fluido oral dos EUA, reembalado a um custo menor. Nos EUA, OraQuick é disponível em farmácias. Outros autotestes podem ser comprados online. Embora isso não seja, de todo, ruim, existe a preocupação de que os compradores estejam usando os kits sem compreendê-los perfeitamente.

Testes pré-qualificados

Cerca de 14 testes rápidos de diagnóstico de HIV foram pré-qualificados pela OMS desde 2010, nos EUA, China, França, Canadá, Coreia do Sul, Japão, Israel e Irlanda. Em 2015, foram realizados testes de HIV e sífilis em pacientes de um hospital em Ruanda, com um dispositivo baseado no smartphone.

Em novembro de 2016, o Imperial College London e a DNA Electronics divulgaram seu autoteste distribuído num pen drive. É um lab-on-a-chip  que pode no futuro permitir que pacientes monitorem seu próprio tratamento – semelhante ao que já podem fazer os diabéticos.

"Normalmente recomendamos testes de carga viral a cada seis meses", diz o médico Graham Cooke, do Imperial College London. "Mas em áreas onde há uma incidência muito alta de HIV, o diagnóstico muitas vezes não pode chegar ou estar longe dos pacientes. Por isso, há uma real necessidade de obter diagnósticos tão perto de pacientes quanto possível, e até dos que possam ser feitos pelo paciente na própria casa."

Tendência com perspectivas

Autoteste de HIV com ajuda de smartphone

Autoteste de HIV com ajuda de smartphone

A OMS recomenda que o autoteste seja uma "abordagem adicional aos serviços de teste do HIV". Portanto, se alguém usa kit e tem um "resultado de autoteste reativo", deve procurar mais testes para confirmar um diagnóstico positivo do HIV.

Um "resultado de autoteste não-reativo" é considerado negativo (sem infecção). Mas as diretrizes recomendam aos usuários repetirem os testes, se tiverem alto risco de HIV ou se a exposição potencial ao HIV tiver ocorrido nas seis semanas anteriores e eles tiverem sido encaminhados a um serviço de prevenção, como profilaxia pós-exposição.

A OMS aposta que os autotestes "aumentarão a autonomia do paciente e descentralizarão os serviços". Cooke diz haver "uma necessidade de boa informação em torno desses testes, sobre quais são suas limitações e o tempo que leva para alguém desenvolver anticorpos depois de ser infectado". O prazo para o organismo desenvolver anticorpos suficientes para serem detectados varia de três e 12 semanas.

Warren diz que as vantagens superam todas as perguntas não respondidas. "Estamos falando sobre testar pessoas em volume sem precedentes. Testes caseiros, autotestes, testes rápidos e diagnósticos onde o paciente é atendido, tanto do vírus em si como de eventuais testes de supressão viral: esse é o futuro."

Leia mais