OMS aponta nova variedade de bactéria como causa do surto infeccioso | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 02.06.2011
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Alemanha

OMS aponta nova variedade de bactéria como causa do surto infeccioso

Variedade nunca antes isolada de EHEC é uma forma mutante de dois tipos bem diferentes de "Escherichia coli", concluem cientistas. Número de mortos na Europa chega a 18.

Cientista exibe amostra da 'E. coli'. Origem do surto segue desconhecida

Cientista exibe amostra da 'E. coli'. Origem do surto infeccioso segue desconhecida

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quinta-feira (02/06) que uma nova variedade da bactéria Escherichia coli é a responsável pelo surto infeccioso que já matou ao menos 18 pessoas na Europa.

Segundo a OMS, um sequenciamento genético preliminar sugere que a nova variedade seja uma forma mutante de dois tipos diferentes de E. Coli. Essa nova variedade tem genes letais, o que explica a sua alta periculosidade.

A especialista em segurança alimentar da OMS Hilde Kruse disse que esse tipo de E. Coli nunca havia sido isolado anteriormente em pacientes. Ela afirmou que a bactéria tem várias características que a tornam mais perigosa e com uma capacidade maior de produzir toxinas.

O sequenciamento genético da bactéria responsável pelo surto infeccioso na Europa foi feito por cientistas chineses e alemães. "Trata-se de um tipo especial de agente EHEC", afirmou o bacteriologista Holger Rohde, do Hospital Universitário Hamburg-Eppendorf (UKE, na sigla em alemão).

Segundo ele, os pesquisadores encontraram no material genético analisado duas linhagens completamente diferentes da bactéria. "Essa variedade é um parente bem distante das bactérias EHEC normais", acrescentou.

Essa nova combinação genética favoreceria, por exemplo, a aderência das bactérias às células do intestino, o que faz com que elas produzam danos por mais tempo. Além disso, a nova linhagem mostrou ser muito resistente. Os pesquisadores alemães trabalharam em parceria com colegas do Instituto de Genômica de Pequim.

Dezoito mortos na Europa

Cerca de três semanas após o início do surto da doença causada pela EHEC, subiu para 17 o número de mortos na Alemanha. Uma mulher de 81 anos morreu na madrugada desta quinta-feira no UKE em consequência da infecção, divulgou o hospital.

Nesta quinta-feira, há 102 pessoas com a síndrome hemolítico-urêmica (HUS, na sigla em inglês) sendo tratadas no UKE. Delas, 27 são crianças. A HUS é um agravamento da infecção causada pela variedade EHEC da Escherichia coli.

Além das 17 vítimas fatais na Alemanha, uma pessoa morreu na Suécia devido à doença. Ela estivera na Alemanha dias antes. O foco da doença é a cidade alemã de Hamburgo, mas até o momento os cientistas não conseguiram descobrir qual a origem do surto.

Também nesta quinta-feira, as autoridades alemãs revelaram que nenhum dos quatro pepinos analisados em Hamburgo (três da Espanha e um da Holanda) estavam contaminados com a variedade de EHEC responsável pelo surto infeccioso. Inicialmente considerou-se que eles poderiam ter deflagrado o surto. Todos os quatro estavam contaminados com EHEC, mas não do tipo O104.

Zapatero quer indenizações

O fato de as autoridades de saúde de Hamburgo terem inicialmente apontado os pepinos vindos da Espanha como a origem do surto infeccioso levou a um boicote dos consumidores alemães ao produto e causou prejuízos milionários aos produtores espanhóis.

Nesta quinta-feira, o presidente de governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, anunciou que o país exigirá "explicações muito contundentes" e "reparações suficientes" pela maneira como as autoridades da Alemanha e também da União Europeia agiram no caso.

Os produtores espanhóis querem indenizações milionárias depois de vários países da Europa terem fechado seus mercados aos produtos da Espanha. Nesta quinta-feira foi a vez de a Rússia proibir a importação de legumes não só da Espanha, mas de toda a União Europeia.

A União Europeia disse que a decisão é desproporcional e lembrou que havia cancelado na noite anterior o alerta contra pepinos espanhóis. A Comissão Europeia divulgou que está exigindo uma explicação das autoridades russas.

AS/dpa/ap
Revisão: Roselaine Wandscheer

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