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Mundo

Olhando para a frente

Alemanha e República Tcheca deixam desavenças do passado para trás e preparam-se para o futuro lado a lado na União Européia. Mas também no novo contexto Berlim e Praga não se mostram muito afinados.

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Spidla e Schröder, hora de caminhar lado a lado

Quase nenhum outro país europeu tinha suas relações com a Alemanha do pós-guerra tão sobrecarregadas pela história como a República Tcheca. Nos últimos 50 anos, o ressentimento marcou ambos os lados. Os tchecos nunca digeriram a anexação forçada de seu país pelo ditador nazista Adolf Hitler e, após a Segunda Guerra Mundial, expulsaram os alemães radicados nos Sudetos.

Há um ano, o fantasma da história ainda desgastava as relações políticas bilaterais entre os dois vizinhos. Após o então primeiro-ministro tcheco Milos Zeman referir-se, em campanha eleitoral, aos alemães expulsos dos Sudetos como a quinta coluna de Hitler, o chanceler federal da Alemanha cancelou a curto prazo uma visita oficial a Praga. Com novo interlocutor do outro lado da fronteira, Gerhard Schröder repôs o compromisso esta semana e constatou que os tempos mudaram.

Fazendo as pazes – Recebido com honras militares, o chefe de governo alemão conversou com o presidente tcheco, Vaclav Klaus, e o primeiro-ministro Vladimir Spidla. Passeou pelo centro histórico e sentiu-se em boa companhia. Pouco se falou dos atritos do passado e da polêmica construção de um Centro Contra a Expulsão em Berlim. Assim como Praga, o governo alemão está longe de ser um entusiasta da idéia. Em vez de protestos, Schröder foi homenageado pela Federação das Vítimas Tchecas do Nazismo por seus méritos nas indenizações aos trabalhadores forçados do Leste Europeu.

O chanceler federal agradeceu a seu colega por seu empenho na recuperação das relações entre os dois países. "Não dá para fazer de conta que o primeiro-ministro Spidla não contribuiu para a melhora. Sou grato a ele. Estamos agora de fato em condições de olharmos para a frente. E vamos fazê-lo", disse Schröder.

Campos opostos na UE – Para a frente significa, na retórica teuto-tcheca, em direção a um futuro comum na Europa. Juntamente com mais nove países, a República Tcheca entra na União Européia em 1º de maio de 2004 e está desde já marcando presença no debate sobre a futura constituição da UE. Assim como na crise iraquiana, Berlim e Praga divergem em opinião e interesses neste ponto. Spidla diz haver questões ainda negociáveis. Por exemplo, sobre o critério "cada país, um comissário".

A República Tcheca galgou a posição de líder de um grupo de pequenos países da futura comunidade ampliada, já chamado de os "15 de Praga". Nele não estão apenas os próximos membros da UE, mas também atuais, que temem a supremacia da Alemanha e da França e querem garantir sua influência no cotidiano político da União. O grupo deseja ampliar a Comissão Européia, de forma que todos os membros da comunidade tenham um representante em seu órgão executivo. O atual projeto de constituição prevê a manutenção do atual formato com apenas 15 comissários.

Recado ao vizinho – Em sua visita, Schröder advertiu para o risco de se desamarrar o pacote constitucional. "Caso se leve adiante os desejos particulares de mudanças, é preciso ter claro em que conseqüências isto resultará. Portanto, caso se desamarre o pacote feito pela Convenção Européia, que julgo corresponder às minhas expectativas, tem-se de verificar se será possível amarrá-lo de novo", afirmou o chanceler federal.

Tchecos e alemães possuem muitos interesses comuns na UE, lembrou Schröder. A estrutura industrial seria semelhante e a cooperação entre os vizinhos vem se tornando mais intensiva. Um caso concreto foi visto pessoalmente pelo chefe de governo alemão. Incorporada pela Siemens há pouco mais de um ano, a tradicional empresa tcheca CKD está reflorescendo. A lista de encomendas à fábrica de vagões para trens, metrôs e bondes cresce continuamente; 800 empregos foram salvos.

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