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Mundo

OIM aponta responsabilidade do consumidor na exploração da mão-de-obra

Um enorme carrinho de compras emborcado, com três trabalhadores subpagos dentro, ilustra campanha da OIM contra exploração de mão-de-obra. Organização calcula mais de 12 milhões de trabalhadores explorados no mundo.

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Poucos se perguntam seriamente: 'Como é que isso pode ser tão barato?'

A Organização Internacional para a Migração (OIM) iniciou uma campanha contra a exploração de mão-de-obra mal paga. A iniciativa se dirige sobretudo aos consumidores nos países industrializados, intimando-os a comprar de maneira responsável, e a considerar o que se oculta por trás dos preços baixos. Elemento central dessa campanha é um spot para TV e internet.

A OIM calcula que, no mundo inteiro, explora-se a mão-de-obra de mais de 12 milhões de pessoas. E também a Europa se aproveita dos trabalhadores clandestinos, por exemplo, no setor da construção civil, na agricultura ou na pesca. Somente no Reino Unido, o número dessas pessoas exploradas é estimado em mais de meio milhão.

Pressão sobre supermercados

No YouTube, já se pode assistir ao vídeo da OIM : presos dentro de um enorme carrinho de supermercado emborcado, veem-se três trabalhadores subassalariados, vítimas do tráfico humano. Em inglês, uma voz explica que essas pessoas não se encontram na "prisão do carrinho de compras" devido à cor de sua pele ou à sua religião. Elas estão simplesmente ali para colher os tomates que compramos diariamente no supermercado.

Com esse spot, a principal meta da organização é conscientizar os consumidores dos países industrializados para que, ao fazerem compras, não atentem apenas para o preço, mas que pensem cada vez mais na origem dos produtos, explica a porta-voz OIM, Jemini Pandya.

Essa reflexão poderia resultar em algumas perguntas a serem feitas aos donos dos supermercados, como: Onde você adquire os seus produtos? Quem os produz? De onde vêm essas pessoas? Como são tratadas?

"Uma vez colocadas essas questões, esperamos naturalmente que as empresas assumam mais responsabilidade pelo que ocorre no fim da cadeia de fornecimento. E aí, tomara, elas também se assegurarão de que não estar vendendo produtos manufaturados por mão-de-obra barata", declara Pandya.

Exemplo do "Fair Trade"

Um e-mail pronto, com as perguntas a serem feitas às cadeias de supermercados, encontra-se no site da campanha, onde também consta que as vítimas de tráfico humano não se encontram em algum canto longínquo da Ásia, numa fábrica suja, mas que também podem estar sendo exploradas em plena Europa. Jemini Pandya explica o processo:

"Essas pessoas não sabem, muitas vezes, para onde são levadas. Elas têm seus passaportes confiscados e são mantidas confinadas. Aí são forçadas a trabalhar. E muitas vezes sofrem abusos físico e sexual. Isso acontece sobretudo com mulheres e meninas."

Em sua luta contra o tráfico humano e a exploração, a Organização Internacional para a Migração sempre se concentrou, até agora, nos países para onde é recrutada a mão-de-obra barata. A nova campanha é diretamente dirigida aos consumidores dos países industrializados. A organização espera, assim, dar partida a uma dinâmica semelhante à iniciada pela organização Fair Trade.

Hoje, até mesmo nas cadeias convencionais de supermercados, são encontrados produtos produzidos através do "comércio justo", que garante remuneração adequada aos pequenos agricultores. Com a pressão sobre os consumidores, a OIM pretende fazer desaparecer das prateleiras os produtos superbaratos, fruto de uma produção calcada na exploração.

Culpa do consumidor

Afinal de contas, os consumidores dispõem de poder neste contexto, por terem, até agora, através de seus hábitos de compra, favorecido a exploração da mão-de-obra barata, argumenta Pandya. "As pessoas querem simplesmente entrar numa loja e comprar tudo barato, não importa em que época do ano. No fundo, foi a demanda que gerou essa situação. E as empresas fornecem ao consumidor o que ele deseja, pelo preço que ele esteja disposto a pagar."

Cabe, portanto, repensar essa situação. E os consumidores nem precisam temer que, ao se coibir a exploração do trabalho barato, tudo fique mais caro. Pois a margem de lucro das empresas permite perfeitamente pagar salários justos aos empregados, sem explorá-los, afirma a porta-voz da OIM.

Autor: Pascal Lechler (av)
Revisão: Soraia Vilela

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