Ocidente especula sobre a futura face da Rússia | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 02.03.2008
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Mundo

Ocidente especula sobre a futura face da Rússia

Para muitos comentaristas e opositores, o pleito não passou de uma farsa. Fato é que o candidato do Kremlin é o novo presidente russo. E um enigma para o Ocidente: "Putin light" ou dirigente moderno e independente?

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Continuidade ou inovação?

Os primeiros resultados parciais oficiais neste domingo (02/03) confirmam os prognósticos: Dimitri Medvedev é o novo presidente da Rússia. A contagem de cerca de 15% dos votos demonstrava que 64,55% dos eleitores escolheram o sucessor indicado por Vladimir Putin.

Em sua primeira declaração pública, após o fechamento dos locais de votação, Medvedev declarou, diante de 20 mil jovens reunidos na Praça Vermelha de Moscou, ter como meta continuar melhorando a qualidade de vida da população.

Conforme a comissão eleitoral, em segundo lugar viria o candidato comunista Guennadi Ziuganov, com 20% dos votos, seguido pelo ultranacionalista Vladimir Jirinovsky. Como previsto, o futuro da Rússia já se decide no primeiro turno.

O pleito foi acompanhado por acusações de manipulação. Parte dos eleitores afirmou haver sofrido pressões na entrega de suas cédulas eleitorais. Devido ao maciço apoio da mídia estatal, o resultado aparentemente já estava decidido de antemão a favor de Medvedev

"Não participo desta farsa"

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A contagem prossegue

Os dois únicos adversários sérios da oposição liberal – Garri Kasparov e Mikhail Kasianov – haviam sido excluídos por motivos formais. Estes e outros aspectos do pleito levaram os opositores a falar em "farsa" e "fraude eleitoral em massa".

Segundo a agência de notícias Interfax, o comunista Ziuganov estaria pronto a apresentar uma lista com 200 violações do direito eleitoral que observara. Jirinovski também anunciou que objetará o resultado das urnas.

O político de oposição e antigo mestre mundial de xadrez Kasparov protestou contra as eleições neste domingo na Praça Vermelha. Ele carregava uma bolsa de compras com os dizeres: "Não participo desta farsa". Também excluído do pleito, o ex-primeiro-ministro Mikhail Kasianov classificou como ilegal a substituição de Putin por seu sucessor indicado.

Sob os olhos dos superiores

Dos 96 mil locais de votação, apenas 300 contaram com a presença de observadores internacionais independentes. A Organização para a Segurança e Cooperação Européia (OSCE) recusara-se a enviar seus funcionários, em protesto contra as restrições impostas por Moscou, que considerou despropositadas e um obstáculo intransponível a suas funções.

Alguns eleitores – entre eles uma professora de Moscou que não quis ser identificada – revelaram haver sido obrigados a votar na presença de seus superiores.

O grupo Golos, que observa a eleição, registrou casos semelhantes. Através de tais métodos, garantiu-se respeitável presença às urnas e a maioria para o candidato do governo.

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Soldados saem de cabinas eleitorais na Ucrânia

"Putin light"?

Após dois mandatos consecutivos, Putin não mais podia concorrer à presidência de seu país. Porém pretende continuar co-determinando a face política da Rússia, na qualidade de primeiro-ministro. Durante a entrega do voto, Putin mostrou-se relaxado. Aos jornalistas presentes, declarou estar em "espírito de feriado".

As especulações sobre os novos destinos da Rússia são numerosas. Apesar de suas constantes aparições na televisão estatal, Dimitri Medvedev, de 42 anos, – até então vice-premiê e presidente do conselho de diretores da companhia Gazprom – não tem revelado muito sobre seu futuro curso político.

Parte da política européia espera que a mudança de governante acarrete uma maior aproximação entre o Velho Continente e a Federação Russa. Sem exibir as feições duras ou a língua ferina de seu antecessor, o exímio jurista Medvedev tem sido ironicamente apelidado "Putin light".

Continuidade ou inovação?

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Matrochka: Medvedev por fora, Putin por dentro

Porém Dimitri Rogosin, delegado russo na Otan, adverte: "Apesar de sua personalidade suave e tranqüila [Medvedev] é feito de aço". Thomas Kunze, especialista em assuntos russos da Fundação Konrad Adenauer, antecipa que o novo presidente demonstrará continuidade em relação a Putin.

Ao mesmo tempo, Medvedev representa uma nova casta de políticos russos. "Ele nasceu em 1965 e pertence a uma geração totalmente diversa de todos os líderes russos antes dele." "Medvedev será um presidente independente e moderno", prevê Kunze, e não uma marionete do novo premiê Putin, como querem as especulações da imprensa ocidental. "Acho que ele está muito mais alinhado com a Europa".

O candidato do Kremlin revelou que considera um desafio conciliar "nossa tradição nacional com um princípio fundamental dos valores democráticos", deixando porém, desde já, claro que a mencionada "tradição" terá prioridade diante da concepção ocidental de democracia. Recentemente Medvedev acusou organizações russas pelos direitos humanos de "combater o Estado".

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