Ocidente condena nova usina iraniana de enriquecimento de urânio | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 25.09.2009
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Mundo

Ocidente condena nova usina iraniana de enriquecimento de urânio

Poucos dias antes das planejadas negociações atômicas entre Irã e comunidade internacional, governo em Teerã reconheceu construção de outra usina de enriquecimento de urânio, provocando reações na cúpula do G20.

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Sarkozy, Obama e Brown criticam usina iraniana no G20

Depois que o Irã constatou que serviços secretos ocidentais descobriram a existência de uma segunda usina de enriquecimento de urânio, Teerã comunicou a existência das instalações à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), na última segunda-feira.

Segundo a agência, o Irã teria assegurado que o nível de enriquecimento do urânio na nova usina seria de até 5%. Para a construção de armas atômicas, é necessário um nível mais alto de enriquecimento. Além disso, o Irã teria aceitado fornecer novas informações em um período "adequado" de tempo.

No comunicado, o Irã teria garantido que, até agora, a usina não abriga nenhum tipo de material nuclear. Um diplomata informou que o Irã não forneceu informações sobre a localização nem sobre o andamento do projeto. Segundo um porta-voz da AIEA, o órgão exigiu informações e acesso, o mais breve possível, às instalações.

Obama e Sarkozy

Até o momento, somente a existência da usina de Natanz era conhecida, o que já enfrentava grande resistência por parte da comunidade internacional. Durante o encontro de cúpula do G20, em Pittsburgh, Estados Unidos, Reino Unido e França condenaram a construção de uma segunda usina de enriquecimento de urânio por parte do Irã.

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O presidente norte-americano, Barack Obama, declarou nesta sexta-feira (25/09) que "o Irã está rompendo todas as regras internacionais que todas as nações devem respeitar". Juntamente com o premiê britânico, Gordon Brown, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, Obama exigiu que o Irã permitisse o acesso imediato de inspetores da AIEA às instalações subterrâneas.

Sarkozy deu ao Irã ultimato até 1° de dezembro. Até lá, Teerã deve "colocar todas as cartas na mesa". Se nada acontecer, "sanções deverão ser impostas". O Irã está desafiando toda a comunidade internacional, disse Sarkozy. "Nós já nos encontramos em uma séria crise de confiança".

Brown e Merkel

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, salientou claramente que não se devem fazer concessões. Caso o Irã continue a negar a cooperação com a comunidade internacional, "ele continuará isolado".

A premiê alemã Angela Merkel, por sua vez, afirmou estar "muito preocupada" com a construção da segunda usina de enriquecimento de urânio. Merkel informou que, da mesma forma que os EUA, o Reino Unido e a França, a Alemanha condena o desrespeito das diretrizes da AIEA por parte do Irã.

Merkel ainda declarou que, durante as conversações planejadas para a próxima quinta-feira (01/10), o Irã deverá estar disposto a prestar contas e aceitar sugestões da comunidade internacional.

Acusações ocidentais

Na próxima semana, em Genebra, a Alemanha e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – EUA, China, Reino Unido, Japão e Rússia – se encontrarão com representantes iranianos para discutir a questão. Há anos que o Ocidente desconfia de que o Irã trabalhe na construção de armas nucleares.

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O governo em Teerã nega as acusações. Por diversas vezes, todavia, o Irã escondeu informações nas Nações Unidas. Segundo as regras da AIEA, o Irã tem que informar a agência, assim que uma decisão sobre a construção de tais instalações seja tomada.

A agência de notícias estatal iraniana Isna anunciou que o Irã construiu a usina para garantir seu direito a um uso pacífico da energia nuclear. Segunda a Isna, a usina teria sido construída em consonância com os regulamentos da AIEA.

Semelhante à de Natanz

Segundo a agência de notícia DPA, a nova usina é semelhante à de Natanz. Ela se localiza em Qom, ao sul de Teerã, e tem capacidade de abrigar 3.000 centrífugas de enriquecimento de urânio. Essa quantidade é suficiente para produzir, dentro de um ano, material atômico suficiente para a construção de uma bomba atômica, mas não de um reator nuclear.

A DPA informou que as novas instalações só estarão prontas para funcionar no próximo ano. Segundo as mesmas fontes, um diplomata acredita que serão necessários pelo menos seis meses até que a usina entre em funcionamento.

CA/rtr/afp/dpa/ots

Revisão: Simone Lopes

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