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Economia

OCDE piora suas projeções para economia mundial

Pela segunda vez no ano, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico reduz seus prognósticos de crescimento. Retração de países emergentes preocupa. PIB do Brasil deverá ser negativo em 2015 e 2016.

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Secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, apresenta relatório em Paris

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) voltou a corrigir para baixo seus prognósticos sobre a economia mundial. Em seu relatório semestral Economic Outlook (Perspectivas econômicas), divulgado nesta segunda-feira (09/11) em Paris, ela prevê agora um crescimento econômico mundial de 2,9% em 2015 e de 3,3% no ano seguinte.

Ainda em março, a OCDE contava com um crescimento do PIB global de 3% para o ano corrente, e de 3,6% para 2016. Os novos índices são os mais fracos desde 2009. A economista-chefe da organização, Catherine Mann, disse estar "muito preocupada" com a estagnação do comércio mundial e com a queda dos investimentos. O secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, resumiu assim a situação: "As perspectivas globais de crescimento voltaram a ficar sombrias".

Recessão no Brasil

No caso do Brasil, o PIB deverá apresentar taxas negativas, de -3,1% em 2015 e -1,2% em 2016, voltando a crescer 1,8% apenas em 2017. "Projetamos que a recessão se prolongue para 2016 devido ao necessário ajuste orçamentário, à política monetária mais restritiva para conter a inflação e a uma falta de confiança dos investidores relacionada com a incerteza política", escrevem os peritos da OCDE.

Os analistas afirmam que, em 2017, deverá ocorrer uma "lenta recuperação", alicerçada na melhora da confiança nas políticas macroeconômicas, mas alertam que "o desemprego deve aumentar ainda mais em 2016". O Brasil, dizem, "entrou em recessão por causa dos baixos níveis de confiança, da incerteza política e da queda dos preços das matérias-primas".

As perspectivas de uma melhora rápida na balança comercial se deterioraram, "o que fez com que a dívida soberana do Brasil fosse revista em baixa para o nível abaixo de investimento" pelas agências de rating, o que, por sua vez, faz com que "recuperar a confiança nas políticas macroeconômicas continue a ser a prioridade", apesar de a recessão tornar a contenção orçamentária muito difícil.

Os analistas alertam que a médio prazo o estabelecimento de um crescimento econômico mais forte vai depender do sucesso das reformas estruturais.

Zona do euro e EUA com crescimento

Para a zona do euro, a OCDE prevê taxas de crescimento do PIB de 1,5% e 1,8% em 2015 e 2016. Para os Estados Unidos, de 2,4% e 2,5%. Enquanto nos EUA a dinâmica nos investimentos e no desemprego é muito positiva, na zona do euro os números são, antes, decepcionantes.

A OCDE manifestou-se apreensiva tanto com o enfraquecimento da conjuntura na China como com a recessão na Rússia e no Brasil. O gradual desvio de foco da economia chinesa, da indústria e da exportação para os serviços e o consumo interno, pode levar a turbulências, mas é esperada uma progressão relativamente regular.

Enquanto a desaceleração do crescimento chinês teve, até agora, efeito limitado sobre os 34 países integrantes da OCDE, algumas nações emergentes foram fortemente afetadas, principalmente com a queda na demanda por matérias-primas e, consequentemente, também nos preços. Entre elas está o Brasil.

Uma fonte de apreensão é também a inusual debilidade do comércio global desde 2012. "Comércio robusto e crescimento global caminham lado a lado", comentou Mann. Segundo a economista-chefe, um enfraquecimento do comércio mundial é uma advertência, e no passado esteve "associado à recessão global". O principal motivo para a atual situação seria a reestruturação do sistema econômico chinês.

Alemanha e os refugiados

Para a Alemanha, a OCDE prevê o recuo continuado do desemprego e crescimento robusto. Este se deve sobretudo à força do consumo privado, do mercado de trabalho e do relativo crescimento salarial – apesar dos efeitos negativos da queda de demanda pelas nações emergentes. Em 2015, o PIB deverá ter um crescimento real de 1,5% e, em 2016, de 1,8%.

A organização sediada em Paris citou a integração dos refugiados como uma tarefa importante para o futuro na Alemanha. Para tal, é importante o processamento veloz dos requerimentos de asilo e a validação rápida dos certificados estrangeiros, a fim de que os imigrantes possam ser rapidamente integrados no mercado de trabalho.

Outra recomendação foi uma reforma do sistema de ensino alemão, reforçando a educação precoce, de forma a incentivar em especial os filhos dos imigrantes. No curto prazo, o acolhimento de um grande número de refugiados representa uma sobrecarga financeira, reconheceu a OCDE.

Porém, no longo prazo e do ponto de vista macroeconômico, eles representarão um ganho para o país por representarem um impulso de crescimento. Em nível europeu, nos próximos dois anos os novos imigrantes deverão trazer um aumento da demanda entre 0,1% e 0,2%, calcula a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

AV/afp/dpa/lusa/rtr

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