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Mundo

Obama: "Nenhuma nação está imune às mudanças climáticas"

Na abertura da COP21, presidente americano faz mea-culpa e admite responsabilidade histórica dos EUA no aquecimento global. China defende que diferenças entre países ricos e emergentes sejam respeitadas.

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Os presidentes dos dois países que mais poluem no mundo: Barack Obama, dos EUA, e Xi Jinping, da China

Líderes das maiores potências econômicas mundiais fizeram um apelo nesta segunda-feira (30/11), primeiro dia da Conferência do Clima de Paris, por medidas ambiciosas e eficazes contra o aquecimento global.

Dos discursos, um dos mais enfáticos foi o do presidente americano, Barack Obama, que reconheceu a responsabilidade histórica dos Estados Unidos, segundo maior emissor do mundo, nas mudanças climáticas.

"Como líder da maior economia mundial e do segundo maior emissora (...), os Estados Unidos não apenas reconhecem seu papel na criação desse problema, nós também assumimos nossa responsabilidade de fazer algo", afirmou Obama em Le Bourget, nos arredores de Paris.

"Acredito nas palavras de Martin Luther King Junior, de que existe uma hora em que é tarde demais. Na questão das mudanças climáticas, estamos quase em cima da hora", continuou o líder americano. "Somos a primeira geração a sentir os efeitos das mudanças climáticas e a última que pode fazer algo a esse respeito. Nenhuma nação, grande ou pequena, rica ou pobre, está imune ao que isso significa."

No discurso, Obama expôs as possíveis consequências do que chamou de "um futuro possível" derivado do aquecimento global.

"Países submersos, cidades abandonadas, campos que já não crescem mais. Distúrbios políticos que desencadeiam novos conflitos, deixando mais pessoas desesperadas que buscam abrigo em nações que não são delas", disse.

China: "É importante respeitas as diferenças"

Estados Unidos e China resistiram no passado em participar de um acordo global sobre o clima. No momento, ambos concordaram em trabalhar juntos, embora tenham problemas com o processo da ONU e devem resistir a aceitar um pacto global juridicamente vinculativo.

Nesta segunda-feira em Paris, o presidente da China, Xi Jinping, disse ser crucial que as conversas levem em consideração as diferenças e permitam que países possam desenvolver suas próprias soluções para o aquecimento global. A China, maior emissora de gases do efeito estufa, sempre insistiu que nações desenvolvidas deveriam ter maior responsabilidade.

"A abordagem das mudanças climáticas não pode negar as necessidade legítimas dos países em desenvolvimento de reduzir a pobreza e melhorar os padrões de vida. É importante respeitar as diferenças entre os países, especialmente os países em desenvolvimento", afirmou.

Frankreich Klimagipfel in Paris Hollande empfängt Obama

Hollande recebe Obama em Paris: "Países desenvolvidos devem assumir sua responsabilidade histórica"

Hollande: "A esperança de toda a humanidade"

Anfitrião do encontro, o presidente François Hollande ressaltou que "nenhuma conferência anterior reuniu tantos líderes de tantos países" e que "nunca houve tanta coisa em jogo porque se trata do futuro do planeta".

"A esperança de toda humanidade repousa nos nossos ombros", declarou. "Nós estamos aos pés do muro. Ele não é instransponível. Os bons sentimentos, as declarações de intenção não serão suficientes, estamos diante de um ponto de ruptura", insistiu.

Para o presidente francês, um "acordo bom e grande" se baseia em "três condições". A primeira, disse ele, é "esboçar um caminho credível para conter o aquecimento global abaixo de 2 graus Celsius ou até 1,5 grau".

A segunda é "dar uma resposta solidária ao desafio climático", na qual nenhum Estado fuja de suas responsabilidades, ressalvando que diferenças de desenvolvimento devem ser levadas em conta.

"Os países desenvolvidos devem assumir sua responsabilidade histórica, são eles que têm emitido ao longo de anos a maior qquanidade de gases do efeito estufa; os países emergentes deve acelerar sua transição da energia; os países em desenvolvimento devem ser apoiados na adaptação aos impactos climáticos", disse. A terceira condição é que todas as sociedades comecem a se mexer.

Já a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, afirmou: "O acordo deve ser justo, ambicioso e vinculativo. A Alemanha espera uma revisão a cada cinco anos, começando em 2020. A Alemanha dará a sua contribuição."

AS/afp/ap/rtr

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