Obama exige ″plano de ação″ do Congresso para evitar calote da dívida | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 15.07.2011
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Obama exige "plano de ação" do Congresso para evitar calote da dívida

Barack Obama intima congressistas a encontrarem solução para crise da dívida e aumentar teto do déficit público. Credores, como China, acompanham com apreensão o problema norte-americano e temem calote.

default

Obama diz que não assinará nada que seja solução de curto prazo

Devido à ameaça iminente de inadimplência dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama pressionou o Congresso nesta quinta-feira (14/7) a apresentar, até a manhã deste sábado, um plano para reduzir as dívidas e o déficit público do país.
O Congresso tem uma oportunidade única "para fazer uma grande coisa", disse Obama nesta sexta-feira. Um fracasso significaria um aumento de impostos para todos, advertiu o presidente em uma coletiva de imprensa. Se não for encontrado um consenso entre a Casa Branca e o Congresso, em menos de três semanas os Estados Unidos não conseguirão mais pagar suas contas.
Obama necessita da aprovação do Congresso para aumentar o teto da dívida pública do país, que é de 14,3 trilhões de dólares. Se as negociações fracassarem, no próximo dia 2 de agosto os EUA provavelmente já não poderão pagar suas obrigações.
Após diversas reuniões fracassadas nos últimos dias, fontes dos democratas disseram que o presidente considera praticável um pacote de contenção de gastos no montante de 2 trilhões de dólares. Na quinta-feira, Obama já havia afirmado: "Eu não vou assinar nada que seja uma solução a curto prazo".
Washington atingiu o teto de gastos em 16 de maio e desde então vem conseguindo administrar a dívida sem impactar nas obrigações do governo.
Conflito político
Nos últimos cinco dias, houve debates intensos sobre as negociações do orçamento norte-americano. Os republicanos pressionam por pelo menos um dólar em corte de gastos para cada dólar de elevação do teto da dívida pública.
Já os democratas se dizem abertos para determinados cortes, mas pedem aumentos de impostos e a inclusão de outras fontes de receita em qualquer acordo, para que os custos das medidas de austeridade sejam divididos.
A situação se complica também à medida que os Estados Unidos começam a se preparar para as eleições presidenciais de 2012, com Obama concorrendo à reeleição. O fracasso na tentativa de aumentar o teto de gastos públicos poderia afetar ainda mais a situação frágil da economia norte-americana, e engatilhar uma crise semelhante à vista em 2008.
Obama afirmou que serão necessários cortes em diversas áreas – como defesa – para equilibrar o orçamento, mas que os programas sociais e de saúde deverão ser poupados o máximo. "Vamos ver se benefícios fiscais a milionários e bilionários são realmente necessários", disse o presidente, pontuando que a classe média e trabalhadores não deverão pagar a conta.
"Oitenta por cento da população apoiam uma solução equilibrada: com cortes nos gastos e pagamento de impostos. O problema não está com os cidadãos, mas com os congressistas", disse Obama durante a coletiva. "Não temos que fazer nada radical para resolver o problema. Não somos a Grécia, não somos Portugal."
Nervosismo dos credores
Enquanto isso, os mercados já demonstram nervosismo. A China, maior credora dos títulos do Tesouro dos EUA, teme que o país não consiga cumprir com suas obrigações financeiras. Números de março mostram que os chineses possuíam mais de 1 trilhão de dólares em títulos do Tesouro. "Nós esperamos que o governo adote políticas responsáveis e medidas para assegurar os interesses dos investidores", avisou de Pequim o porta-voz do ministério de Relações Exteriores, Hing Lei.
A Coreia do Sul, que detém mais de 300 bilhões de dólares em divisas estrangeiras, diz confiar que os Estados Unidos conseguirão resolver a crise de débito. "Estou otimista que o Congresso norte-americano encontrará uma boa solução antes de 2 de agosto", afirmou Bahk Jae Wan, ministro sul-coreano das Finanças.
Mal avaliado
As agências de rating também demonstram inquietação. A poderosa Moody's ameaça baixar a notação de crédito dos Estados Unidos ainda neste mês. A Standard & Poor's (S&P) tem o mesmo discurso – é possível que o país perca a nota mais alta "AAA", comunicou a agência na madrugada desta sexta-feira.
Investidores estão de olho na classificação dos Estados Unidos, e as implicações de um rebaixamento seriam negativas, admitiu a S&P. A agência considera rebaixar a nota caso não se convença que os políticos tenham chegado a um acordo para estabilizar a crise da dívida.
Crise em curso
Devido à falta de dinheiro, alguns estados norte-americanos já enfrentam problemas. Em Minnesota, por exemplo, onde o déficit público estadual é de 5 bilhões de dólares, o governador democrata e os políticos republicanos chegaram a um acordo.
Há duas semanas, as contas do estado entraram em colapso.
Para contornar o problema, foram dadas férias a mais de 20 mil dos 36 mil servidores, foi fechado o parque nacional em plena temporada e paralisados diversos projetos viários. O governador, Mark Dayton, não sabe dizer quando a situação será normalizada.
Autora: Nádia Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer

Leia mais