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Mundo

Obama define novos limites para guerra contra o terror

Em longo discurso, presidente americano diz que natureza da luta contra o terrorismo mudou, anuncia novos padrões para uso de aviões não tripulados e estabelece medidas para acelerar o fechamento de Guantánamo.

O presidente Barack Obama delineou nesta quinta-feira (23/05), num extenso e aguardado discurso em Washington, aquilo que considera ser o futuro da política antiterrorismo dos Estados Unidos. Nele, comprometeu-se a definir com mais precisão o inimigo americano; prometeu aumentar o controle sobre o uso de armas letais como aviões não tripulados; e sugeriu que a longa guerra contra a Al Qaeda, nos moldes atuais, um dia terá um fim.

"Essa guerra, como todas as guerras, precisa acabar. É isso que a História nos ensina", afirmou Obama. "Nem eu nem qualquer outro presidente poderá impor a total derrota ao terror. Jamais apagaremos o mal que repousa no coração de alguns seres humanos. O que podemos fazer – e temos que fazer – é desmantelar redes que nos imponham uma ameaça direta e tornar mais improvável que novos grupos surjam."

Ao longo de uma hora num auditório da Universidade Nacional de Defesa, Obama aproveitou ainda para renovar sua pressão pelo fechamento de Guantánamo. Ele anunciou o fim da moratória ao envio de detentos para o Iêmen, exigiu que o Congresso derrube as restrições às outras transferências e disse que nomeará um enviado especial para cuidar apenas da questão do centro de detenção em Cuba.

Drohne vom Typ MQ-1 Predator beim Landeanflug

Avião não tripulado, um dos pontos do discurso de Obama na Universidade Nacional de Defesa

Atualmente há 166 presos em Guantánamo, 90 deles iemenitas. Todas as transferências de detentos foram suspensas em dezembro de 2009, após a tentativa frustrada de Umar Farouk Abdulmutallab, que recebeu treinamento no Iêmen, de explodir um avião sobre Detroit.

"Não há qualquer justificativa mais para as políticas do Congresso para impedir o fechamento de um centro que não deveria ter existido", discursou o presidente americano, alegando que a natureza da guerra contra o terrorismo já não é mais a mesma de 11 anos atrás.

Manifestante interrompe discurso

Aberto em 2002 por George W. Bush, Guantánamo chegou a abrigar 800 presos. A greve de fome que mais de cem detentos sustentam há cerca de três meses reavivou o debate sobre seu fechamento. Durante o discurso nesta quinta-feira, Obama foi interrompido três vezes por uma ativista na plateia e ouviu apelos pelo fim do centro de detenção e do uso de aviões não tripulados.

"A voz daquela mulher merece ser escutada. Obviamente não concordo com muito do que disse", apontou Obama, saindo do discurso pré-pronto e após ter pedido por diversas vezes à manifestante que se sentasse.

Guantanamo Gefangenelager Kuba USA Übersicht

Guarda caminha em Guantánamo: presidente renovou pressão pelo fechamento da prisão

Os chamados drones centraram outro ponto alto do discurso de Obama. O presidente americano fez a sua mais extensa defesa do uso de aviões não tripulados, mas assinalou que vai determinar novos padrões para a realização de ataques do tipo. Os alvos dos drones, assinalou, devem representar uma ameaça "iminente" contra os americanos e devem ser atacados apenas quando não houver qualquer possibilidade de captura.

"Temos que definir a natureza e o escopo dessa luta, ou ela acabará nos definindo. Temos que estar atentos ao aviso do [ex-presidente] James Madison de que 'nenhuma nação poderá preservar sua liberdade no centro de uma guerra contínua'", disse Obama.

O debate sobre o uso de drones foi renovado nesta quinta-feira com a admissão do procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, em carta enviada ao Congresso, de que quatro cidadãos americanos foram mortos em ataques realizados por aviões não tripulados.

RPR/rtr/ap/afp

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