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Alemanha

O vai e vem do lixo atômico

O maior transporte de resíduos nucleares da história da Alemanha acontece a partir desta segunda-feira (11). Doze contêineres com lixo altamente radioativo deixam a usina de La Hague, na França, de volta ao país.

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Ambientalista veste-se de "morte" durante protestos contra transporte de material radioativo

Há cerca de um ano, a Alemanha recebia um comboio vindo de La Hague. A diferença é que o carregamento de agora vem em dobro. Em novembro de 2001, foram seis contêineres. Hoje, são doze. Como de praxe, o transporte conta com a proteção de milhares de policiais, que tem como função proteger a população de eventuais acidentes com o lixo e, teoricamente, proteger o lixo da ação dos manifestantes – em número cada vez menor – a seu redor.

Testes ineficazes – Um dos pontos cruciais a serem manejados pelo governo social-democrata e principalmente verde (por ser uma das plataformas políticas do partido) é o destino dos resíduos nucleares no país. Para organizações de defesa do meio ambiente, um dos grandes perigos está no novo sistema utilizado para o transporte: ao contrário dos recipientes utilizados para armazenar o lixo anteriormente, o novo modelo HAW 20/28 CG não foi submetido aos chamados "testes de queda".

Em vez disso, o órgão federal responsável pela avaliação do novo material testou apenas virtualmente a capacidade de resistência dos novos recipientes. Segundo especialistas do Ministério do Meio Ambiente, a segurança não está, apesar disso, ameaçada. O perigo de queda dos contêineres durante o descarregamento no depósito intermediário de Gorleben, na Baixa Saxônia, foi também revidado pelo Ministério do Meio Ambiente.

Início de uma série – O transporte de 12 contêineres com 1320 toneladas de material radioativo, embalado em coquilhas de vidro, marca o início de uma série de carregamentos que deverão chegar à Alemanha nos próximos anos. O país enviou, desde 1973, cerca de 5.700 toneladas de resíduos nucleares para o reprocessamento à usina francesa La Hague ou a Sellafield, na Inglaterra, e deverá enviar ainda mais 1.700 toneladas de material radioativo às duas usinas até junho de 2005, sendo obrigado a receber seu lixo reprocessado de volta.

Descentralização – A partir de 2005, estará proibido o transporte de urânio irradiado para ser reprocessado fora do país, fazendo com que o material seja guardado em depósitos intermediários nas próprias usinas nucleares até atingir um depósito final. Um dos principais pontos da política de abandono do uso da energia nuclear, proposta pelo ministro verde do Meio Ambiente, Jürgen Trittin, é a descentralização de depósitos provisórios, através da criação, até 2005, de doze espaços nas próprias instalações das usinas nucleares, destinados aos resíduos ali produzidos.

Menos transporte e maior resistência – Isso reduziria o número de transportes de material radioativo dentro do país e tiraria um pouco da carga dos depósitos provisórios alemães de Ahaus e Gorleben. As paredes de concreto planejadas para abrigarem os resíduos nucleares nos depósitos provisórios deverão ser fortes o suficiente para resisitirem até mesmo à queda de um avião com passageiros.

A grande questão envolvendo o lixo atômico diz respeito à escolha de um local para os depósitos finais dos resíduos. O ministério alemão do Meio Ambiente criou em 1999 uma equipe, responsável pela determinação dos critérios a serem respeitados nessa escolha, que deverá expor os resultados de seu trabalho até o final deste ano.

A construção de um depósito final em solo alemão deverá ocorrer, no entanto, apenas no ano de 2030. Até então, todos os resíduos reprocessados que voltarem de La Hague ou Sellafield para o país deverão ser armazenados no depósito provisório de Gorleben.