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Mundo

"O terrorismo tem raízes econômicas, disfarçadas de fundamentalismos religiosos"

Em entrevista à DW-WORLD, a socióloga Barbara Freitag fala das feridas simbólicas deixadas pelo 11 de setembro e discute as diversas formas de segregação que geram violência no mundo contemporâneo.

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Violência: conseqüência comum da segregação

DW-WORLD: No ensaio “Cidade e violência”, a senhora cria a categoria das "cidades feridas", aquelas que sofrem ou sofreram ataques, seja através de guerras (tomamos como exemplo recente Beirute), catástrofes naturais (Nova Orleans) ou atentados (Nova York). Há algo em comum entre essas cidades?

Barbara Freitag: Quando falei de “cidades feridas”, procurei inseri-las entre duas outras categorias: as “cidades vivas” e as “cidades mortas”. Em outros ensaios falei em “cidades em ruínas”. As cidades feridas incluem duas subcategorias, aquelas “feridas” por catástrofes da natureza (terremotos, enchentes, erupções vulcânicas, tsunamis) e aquelas cujas feridas resultam da intervenção dos homens (guerras entre povos, conflitos de classe, lutas religiosas). Não é difícil encontrar exemplos para cada uma das categorias.

As “cidades feridas” podem também ser consideradas "feridas" em momentos de passagem, de transição. Ou a vida da cidade atingida por destruições se recupera, assegurando a vida urbana, ou elas são abandonadas, precipitando a “morte”. Nova York é uma cidade viva, que foi ferida pelos atentados do “9/11”, mas conseguiu, em cinco anos, recuperar sua substância urbana e sair das ruínas.

Ao discutir as conseqüências simbólicas do 11 de setembro, a senhora diz que os atentados destruíram o orgulho e a segurança da sociedade norte-americana, “embalada anteriormente na certeza de que ninguém jamais conseguiria agredir o poder hegemônico do mundo contemporâneo". Quais são as conseqüências desta perda simbólica, cinco anos depois dos atentados?

Bildgalerie 11. September 2001 Beekman Street

11 de setembro: 'feridas simbólicas'

Permaneceram ”feridas simbólicas" entre os nova-iorquinos e os norte-americanos em geral. O sentimento de segurança em que se embalavam os cidadãos da maior superpotência do mundo foram atingidos. A conseqüência necessariamente é o medo, a insegurança e a xenofobia.

Os valores democráticos estão sendo corroídos e a democracia norte-americana, modelo para o resto do mundo, está assumindo formas autoritárias. Confirmando as previsões de George Orwell em 1984 (aliás, a origem do conceito de Big Brother, que vê e controla tudo no interior de nossas casa e vidas e hoje se torna realidade). O sentimento de vingança está sendo materializado nas guerras contra o Afeganistão, o Iraque e quem sabe, proximamente o Irã.

Os efeitos posteriores do 11 de setembro podem ser sentidos também em outras sociedades, como a brasileira? Durante os recentes tumultos coordenados pelo PCC em São Paulo, falou-se que o crime organizado no Brasil teria se inspirado nos atentados às torres gêmeas. Qual é sua opinião sobre esta suposição?

Os efeitos do 11 de setembro certamente estão presentes em outras sociedades. Creio, contudo, que isso atinge mais a Inglaterra e o continente europeu, inclusive a Alemanha reunificada. O aumento do terrorismo no Primeiro Mundo tem raízes econômicas, mas se disfarça por detrás de fundamentalismos religiosos perigosos, que dissolvem a concepção de cidadania e favorecem uma ideologia culturalista, associada ao laissez-faire anglo-saxônico.

No Brasil, a raiz dos “tumultos” está nas discrepâncias sócio-econômicas da sociedade e na falta de uma formação política cidadã efetiva, que se sinta comprometida com os direitos humanos e a democracia. Nas estatísticas de assassinatos por ano (55 mil), as motivações são vingança pessoal, ciúmes, ódio etc, acoplados a uma dificuldade social de resolver conflitos pessoais.

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