1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

O teatro como palco da interculturalidade

Entrevista com a diretora de teatro Annette Ramerhoven, alemã que estudou em São Paulo e atua nos dois países.

A diretora alemã de teatro Annette Ramerhoven, residente em São Paulo, acabou de estrear em Stuttgart a peça Por que a Criança Cozinha na Polenta, baseada no romance da suíça-romena Aglaja Veteranyi. A adaptação teatral, escrita pela própria diretora, enfoca o drama de uma menina proveniente de uma família de circo que foge do Leste Europeu na esperança de conquistar o Ocidente e fracassa na tentativa de constituir uma identidade cultural própria.

O trânsito entre diferentes culturas também marca a trajetória profissional de Annette Ramerhoven. Formada pela Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo, a alemã nascida em Colônia e crescida em Munique foi assistente de direção do coreógrafo austríaco Johann Kresnik durante anos e produtora cultural na Casa das Culturas do Mundo, em Berlim. Entre suas encenações, destacam-se Olga Benario (Bremen, 1994) e No Alvo (São Paulo, 1996), de Thomas Bernhard, montada num casarão da Avenida Paulista. Numa entrevista exclusiva à Deutsche Welle, a autora e diretora fala sobre o desafio e o prazer de trabalhar com teatro no Brasil e sobre seus novos planos para o cenário cultural paulistano.

DW: Em comparação com a Alemanha, não é tão fácil trabalhar com teatro no Brasil, pela falta de apoio institucional sistemático. Mesmo assim, você optou por atuar como diretora em São Paulo, onde voltou a morar há alguns meses. Quais as grandes recompensas de trabalhar com teatro no Brasil?

Ramerhoven: Em primeiro lugar, a urgência de se fazer um teatro diferente no Brasil. Em função das limitações de caráter econômico, o desenvolvimento do teatro no Brasil deixa a desejar, em comparação com o Primeiro Mundo. É claro que há projetos específicos muito importantes, singulares, mas de um modo geral existe uma lacuna que precisa ser preenchida. Existe a necessidade de levar textos de fora e também de estimular a própria dramaturgia brasileira, o que já está acontecendo neste momento. Quanto ao trabalho de montagem, é importante ousar na concepção, na atualização da dramaturgia clássica e de vanguarda e também num trabalho contínuo de teatro. A segunda recompensa é a grande criatividade. O brasileiro ama o teatro, tanto ir ao teatro, como fazer teatro. A produção de São Paulo, por exemplo, é imensa. Basta olhar a quantidade de salas, de grupos e o sacrifício que o pessoal de teatro faz para poder realizar alguma coisa. Além disso, há uma infinidade de temas e assuntos, tudo o que o próprio povo brasileiro traz quanto ao material, toda essa riqueza, a boca do povo brasileiro, as situações mais absurdas (a velha história de que o Brasil é um país surrealista...). Portanto, botando a mão nessa massa e se aproveitando de uma dramaturgia já existente, acho que o Brasil é um prato cheio. Não tem outro igual.