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Alemanha

O sombrio passado do Ministério do Interior da Alemanha

Estudo confirma que, depois da Segunda Guerra Mundial, ex-membros do Partido Nazista continuaram suas carreiras em grande número em órgãos públicos alemães, com influência até sobre decisões políticas.

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Sede do Ministério do Interior em Berlim

O chefe de uma divisão responsável em grande parte pela política educacional da era nazista, outros que participaram em programas de esterilização forçada, membros do alto escalão do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), como também dos esquadrões SS e SA: no período após a Segunda Guerra Mundial, o Ministério do Interior alemão estava cheio de pessoas que hoje teriam de ser classificadas como agressores nazistas.

Essa é a conclusão de um estudo realizado para o Ministério do Interior em Berlim, por pesquisadores independentes do Centro de História Contemporânea (ZZF) em Potsdam. A pesquisa foi apresentada na última quarta-feira (04/11) na capital alemã.

Ao longo de 11 meses, os historiadores pesquisaram os arquivos pessoais de funcionários do Ministério do Interior da Alemanha Ocidental e da antiga Alemanha Oriental, do período entre 1949 e 1970.

Segundo o diretor do ZZF, Frank Bösch, os pesquisadores descobriram, nos dois órgãos, um "número incrivelmente" alto de funcionários com passado nazista.

De acordo com suas descobertas, metade de todos os funcionários no Ministério do Interior ocidental era formada por antigos membros do Partido Nazista. Entre 1956 e 1961, a proporção subiu para 66% – a maior porcentagem conhecida de ex-nazistas em qualquer ministério da Alemanha Ocidental.

Bösch disse ainda não estar surpreso com o fato de 14% de todos os funcionários na pasta do Interior no lado ocidental também terem sido ex-membros do NSDAP. Esse número ultrapassa o que pesquisadores presumiam até agora e, segundo o diretor do ZZF, é dramaticamente maior que as estatísticas internas da antiga República Democrática Alemã (RDA).

Konrad Adenauer und Hans Globke

Hans Globke (d.) fez carreira com os nazistas e chefiou Chancelaria Federal na era Adenauer (e.)

Mas como pode ter acontecido que ambos os ministérios – responsáveis pelos principais aspectos da política e da sociedade e que, teoricamente, teriam passado pelo processo de "desnazificação" – possam ter sido marcados por tão grande número de nazistas?

Depois da guerra, era difícil encontrar pessoas capacitadas, explicam os realizadores do estudo, e as gestões não queriam dispensar um determinado número de pessoal especializado – mesmo na RDA. Assim, funcionários que haviam feito carreira na administração, Justiça e polícia durante a era nazista também foram empregados, no período pós-guerra, frequentemente em cargos políticos e administrativos de alto escalão.

Influência na Chancelaria

Políticas de pessoal também foram decisivas: companheiros do antigo Partido Nazista ajudavam-se mutuamente e, de acordo com o estudo, uma ampla rede de antigos nazistas desempenhou um "papel importante" na contratação de ex-membros do NSDAP.

Esse também foi o caso na então Chancelaria Federal em Bonn, chefiada por Hans Globke. Na era nazista, ele havia sido coautor dos comentários legais das Leis de Nurembergue, que retiraram a cidadania dos judeus alemães. Ele também foi confidente próximo do então chanceler federal Konrad Adenauer e tinha grande influência sobre a contratação de funcionários de alto escalão.

Thomas de Maiziere

Ministro Thomas de Maizière: investigar passado nazista é dever dos ministérios

Além disso, muitos dos candidatos à vaga de emprego mentiam, simplesmente, sobre seu passado nazista. Stefanie Palm, uma doutoranda que vasculhou centenas de arquivos de pessoal do Departamento de Cultura do Ministério do Interior, afirma que "um grande número deles [candidatos] mentiam durante o processo de contratação." Mas mesmo em casos em que o passado nazista vinha à tona, não houve nenhuma consequência. "Isso é algo muito impressionante", diz a historiadora.

Dever dos ministérios

O antigo trabalho dos funcionários influenciou decisões políticas e legislativas: os autores do estudo apontaram para a atitude fundamentalmente antissemita do Departamento de Relações Internacionais no Ministério do Interior alemão, como também para as práticas de censura do Departamento de Cultura.

Durante a apresentação do estudo na quarta-feira, o Ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, anunciou ter dado dois anos e meio a mais de tempo de pesquisa à equipe do projeto, para que cheguem até o fundo dessa questão e para que quantifiquem com mais precisão as influências de ex-nazistas sobre a política e as leis da Alemanha do pós-guerra.

Durante anos, o ministério não quis se confrontar com o tema. Ainda em 2005, o então ministro do Interior, Otto Schily, declarou que não havia "nenhum passado nazista que valesse a pena esclarecer" em seu ministério e, durante muito tempo, o atual ministro De Maizière também se recusou a fazer o mesmo. Hoje, ele diz que a investigação é dever dos ministérios.

Esse é um dever, no entanto, que a Chancelaria Federal ainda não assumiu – apesar de seu antigo chefe e confidente de Adenauer, Hans Globke, ter feito carreira trabalhando para os nazistas e, depois, ter influenciado as decisões políticas da Alemanha pós-guerra.

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