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Mundo

O sim dos que disseram não

Conselho de Segurança das Nações Unidas aprova resolução sobre a suspensão das sanções contra o Iraque, com voto da Alemanha, França, Rússia e China, que se opuseram à guerra.

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A Síria faltou à reunião

Reunido em Nova York, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, na tarde desta quinta-feira (22), uma resolução que suspende as sanções impostas contra o Iraque há quase 13 anos. Dos 15 membros do Conselho, 14 votaram a favor; a Síria não compareceu à reunião nem participou da votação. O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, declarou em Paris, onde se encontra, ser este "um dia maravilhoso para o povo iraquiano".

O ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, também se manifestou imediatamente após a divulgação do resultado da votação: "A resolução proporciona um fundamento para a melhoria das condições de vida da população iraquiana e para a estabilização da situação política no Iraque".

Decisão já fora tomada

A aprovação já era tida como certa, depois que os ministros do Exterior da Alemanha, França e Rússia, reunidos em Paris na quarta-feira (21), tinham dado seu amém ao texto. Os três países que lideraram a oposição a uma intervenção militar contra o regime de Saddam Hussein optaram por um sim à resolução, ainda que ela não seja perfeita e "não vá tão longe quanto desejávamos", declarara o ministro francês, Dominique de Villepin, após o encontro.

Nenhuma legitimação posterior da guerra

A decisão de Villepin, Fischer e Ivanov foi motivada pelo desejo de priorizar "o caminho da unidade da comunidade internacional e da responsabilidade", ressaltou o ministro francês, falando também em nome dos demais. Todos os três acentuaram que seu sim não significa uma "legitimação posterior da guerra".

Fischer e Ivanov destacaram ainda a importância das relações com Washington; o ministro alemão reforçou o "papel eminente, indispensável" que os Estados Unidos desempenham na "família transatlântica". Para Villepin, o mais importante é que a resolução vai abrir o caminho para que a ONU assuma um papel central no pós-guerra.

Noventa alterações

O esboço agora em votação foi alterado quatro vezes pelos iniciadores, os Estados Unidos e seus aliados na guerra contra o Iraque, a pedido dos demais membros do Conselho. As mudanças no tocante ao significado das Nações Unidas no processo de reconstrução do Iraque tinham sido, no entanto, mínimas. O documento não prevê a equiparação do encarregado da ONU com o chefe norte-americano da autoridade de ocupação, nem descreve concretamente o mandato dos inspetores de armamentos no Iraque. Ao todo, ele contém, porém, diferenças em 90 pontos em relação ao primeiro esboço, apresentado dia 9 de maio.

Uma alteração significativa refere-se à previsão de uma avaliação, pelo Conselho de Segurança, dos resultados da resolução após 12 meses de vigência, aliada à decisão de novas medidas, se consideradas necessárias. O texto deixa claro também que a ocupação do Iraque por forças estrangeiras terminará assim que um governo democraticamente legitimado começar a funcionar. Até lá, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha estão legitimados como forças de ocupação, com todas as prerrogativas para administrar o país e utilizar as receitas da venda do petróleo para sua reconstrução.

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