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Mundo

O que Trump pensa sobre a Alemanha?

Numa série de referências ao país europeu e ao governo de Merkel, presidente dos EUA já manifestou tanto elogios quanto duras críticas. Desde que assumiu a Casa Branca, ele elevou o tom.

Angela Merkel e Donald Trump

Merkel e Trump durante encontro do G7 em maio de 2017

Mesmo antes de começar sua campanha eleitoral, o presidente americano, Donald Trump, distribuía elogios e críticas à Alemanha e à chanceler federal Angela Merkel. No entanto, desde que assumiu a Casa Branca em janeiro, ele tem mirado de forma crescente o país aliado dos EUA e suas políticas.

O americano condenou nesta quinta-feira (25/05) o superávit comercial da Alemanha com os EUA durante uma reunião de cúpula da Otan.

"Os alemães são maus, muito maus", teria dito Trump, segundo reportagem da revista alemã Der Spiegel com base em fontes que participaram da reunião. "Vejam os milhões de carros que eles vendem nos EUA. Terrível! Nós vamos parar com isso."

As opiniões de Trump sobre a Alemanha nem sempre foram negativas. Em 2013, Trump usou o Twitter, sua mídia social favorita, para elogiar Merkel, a primeira mulher chanceler federal do país.

"Angela Merkel está fazendo um trabalho fantástico como chanceler federal da Alemanha. O desemprego entre os jovens nunca foi tão baixo, e ela alcançou um superávit orçamentário", escreveu Trump na época.

Em agosto de 2015, Trump disse à revista americana Time que Merkel era "provavelmente a maior líder do mundo atual". No entanto, quatro meses depois, seu tom mudou. Em dezembro de 2015, após a revista Time eleger Merkel como personalidade do ano, uma homenagem de prestígio, embora simbólica para influenciar os assuntos mundiais, Trump criticou a escolha.

"Eu bem disse que a revista Time nunca me escolheria como personalidade do ano, apesar de eu ser o grande favorito. Eles escolheram a pessoa que está arruinando a Alemanha", escreveu Trump no Twitter imediatamente após o anúncio.

Segundo a revista, Merkel ganhou o reconhecimento por sua "liderança moral firme" no manejo da crise migratória europeia e da crise da dívida grega de 2015.

No ano seguinte, Trump foi escolhido como personalidade do ano pela Time por "lembrar os EUA que a demagogia se alimenta do desespero e que a verdade só é tão poderosa quando a confiança naqueles que a proferem".

Política migratória: "Erro catastrófico"

Conhecido por suas políticas migratórias, Trump também criticou a política de Merkel de abrir as fronteiras para os refugiados, especialmente numa ampla entrevista publicada em conjunto pelo jornal alemão Bild e pelo britânico The Times.

"Acho que ela cometeu um erro muito catastrófico e que estava aceitando todos esses ilegais, você sabe, recebendo todas essas pessoas de onde quer que elas venham", disse Trump. "E ninguém sabe de onde vêm. Então, eu acho que ela cometeu um erro catastrófico, um erro terrível."

Por meio da política migratória de Merkel, mais de um milhão de refugiados entraram na Alemanha desde 2015, muitos deles fugindo de conflitos e da extrema pobreza em países do Oriente Médio, Ásia e África.

Trump, por sua vez, tentou implementar a proibição da entrada nos EUA de cidadãos de sete países de maioria muçulmana e pretende construir um muro na fronteira com o México para evitar a imigração ilegal.

"Alemanha deve grandes somas de dinheiro"

Em março último, Merkel embarcou em sua primeira visita oficial aos EUA sob o governo de Trump. No encontro, Trump não apertou a mão de Merkel numa sessão de fotos no Salão Oval, mesmo depois de um fotógrafo pedir e a alemã reiterar a solicitação ao americano.

Na reunião, o presidente americano teria apresentado à Merkel uma conta no valor de mais de 300 milhões de dólares por Berlim deixar, desde 2002, de atender a meta da Otan de investir 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa. No entanto, a Casa Branca negou o incidente.

"A despeito das notícias falsas que vocês ouviram, eu tive um ótimo encontro com a chanceler federal Angela Merkel. No entanto, a Alemanha deve grandes somas de dinheiro à Otan, e os EUA devem receber mais pela defesa poderosa e muito cara que fornecem à Alemanha", escreveu Trump em dois tweets após o encontro com Merkel.

Trump pressionou pelo aumento dos gastos de defesa na Otan, destacando a posição dos EUA como o país com mais gastos militares com o objetivo de coagir os Estados-membros, incluindo a Alemanha, a atingir a meta da Otan de 2% do PIB.

Após os comentários de Trump, a ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, negou que a Alemanha devesse dinheiro. Ela afirmou que "não há nenhuma conta onde há dívidas com a Otan registradas". Segundo um acordo firmado no País de Gales em 2014, os Estados-membros da aliança têm até 2024 para cumprir a meta de gastos em defesa.

"Temos algo em comum"

Embora, desde que chegou à Casa Branca, Trump tenha feito fortes críticas à Alemanha e à Merkel, ele fez uma observação durante uma entrevista coletiva que sugere uma convergência entre os dois líderes.

"Sobre as escutas telefônicas do governo anterior, pelo menos temos isso em comum", afirmou Trump em março, ao lado de Merkel, em referência às alegações de que o governo de Barack Obama mandou grampear o telefone da líder alemã.

Numa séria de tweets, Trump alegou ainda que o "presidente Obama grampeou meus telefones em outubro, pouco antes das eleições presidenciais". No entanto, as autoridades, incluindo o FBI, afirmaram não haver evidências para as alegações do presidente.

Depois de a revista Der Spiegel publicar, em 2013, alegações de que a Agência de Segurança Nacional (NSA) espionou o telefone celular de Merkel, as relações entre EUA e Alemanha esfriaram. No entanto, procuradores alemães encerraram a investigação em 2015, dizendo não ter encontrado provas que pudessem ser usadas num tribunal.

 

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