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Alemanha

O que restou do choque e da angústia

Alemanha um ano após os atentados: as imagens continuam vivas na memória, mas o medo e o choque foram recalcados de tal forma que chega a dar medo.

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Controles mais severos de segurança são algo com que a população tem que conviver

Nos primeiros meses após os atentados terroristas em Nova York e Washington, reinava na Alemanha o consenso de que o 11 de setembro de 2001 mudara a vida como nenhuma outra data. A partir desses acontecimentos, começara a busca por um sentido mais profundo da vida, muitos deram início a um processo de reflexão acerca de valores e metas.

Ninguém mais era capaz de subir num avião em Frankfurt sem um aperto no coração, ou de entrar num arranha-céu em Berlim sem tremer, ou de olhar para um árabe barbudo em Hamburgo sem desconfiança. Os alemães decidiram coletivamente perder o caráter de fun society, cujo objetivo único é a busca do entretenimento. Em vez de noitadas alegres e festas, o futuro prometia discursos sérios, fisionomias graves.

Pesquisas de opinião revelavam então que mais da metade dos alemães tinham "medo muito grande" de uma terceira guerra mundial. Três entre quatro pessoas temiam que "um atentado terrorista também pudesse ocorrer na Alemanha".

Nesse meio tempo, a frase favorita dos comentaristas na época — "as coisas nunca mais vão ser como eram" — tornou-se um lugar-comum banal. Muito do que preocupava os alemães então não provoca hoje mais do que um indiferente dar de ombros. Na aparência, a "sociedade da diversão e do consumo" continua prevalecendo.

Não há dúvida de que o cotidiano para o qual as pessoas retornaram passou por uma ruptura. A realidade impõe limites, torna necessárias certas restrições. A segurança absoluta não existe mais, a ilusão da paz global desvaneceu-se. É preciso conviver com medidas rígidas — e caras — de segurança, tais como os controles severos a que todos são submetidos antes dos vôos ou ao visitar grandes eventos. O debate sobre a segurança interna e externa retorna intermitentemente aos noticiários.

Embora a questão do medo readquirido atualidade, com a aproximação da data em que os atentados completam um ano, o sentimento não tem mais as mesmas proporções de um ano atrás. O 11 de setembro de 2002 está sendo esperado com medo por apenas 24% dos alemães, quer dizer, três quartos da população sente-se tranqüila com relação à data.

Mas há um resquício que continua atuando até hoje e merece ser mencionado. Cientistas falam de uma politização notável dos jovens alemães em conseqüência dos atentados. Certamente essa politização também poderia ser atribuída à globalização, mas o que se pode afirmar com certeza é que nunca se escreveram e venderam em tão grande quantidade publicações sobre o islã e o terrorismo internacional como nos meses após o atentado.

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