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Alemanha

O que o povo nas ruas pensa do "novo patriotismo alemão"

A DW-WORLD foi às ruas de Bonn em busca de uma resposta para o tema que ocupa tanto torcedores quanto indiferentes do futebol.

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Euforia inédita

Esta onda negro-rubro-ouro que toma conta da Alemanha é a febre da Copa, como quer a mídia e a publicidade comercial, ou um ameaçador recrudescimento patriótico? Sociólogos, jornalistas e políticos debatem o tema, com resultados divergentes. Mas o que dizem o homem e a mulher das ruas?

A DW-WORLD foi direto às fontes, indagando numerosos transeuntes em Bonn sua opinião sobre o que está acontecendo com este país.

Brindadeira cara

Primeira constatação: com poucas exceções, as respostas primaram por uma (saudável?) irreflexão, beirando a ingenuidade. Muitos dos que optaram por não empunhar a bandeira nacional, o fizeram por considerações absolutamente prosaicas.

Como no caso de Hans, de 25 anos: "As que eu vi eram de qualidade bem ruim e mesmo assim custavam, sei lá, oito euros, achei caro demais. Mas se eu tivesse um carro, colocaria uma bandeirinha".

Outros até percebem as implicações das bandeiras, no contexto da grande discussão sobre o patriotismo, porém sem dramatizar. Claudia, de 27 anos, não vê a necessidade de um símbolo: "Não preciso ter uma bandeira para mostrar que também torço pela Alemanha". Um outro entrevistado revelou que não associa necessariamente com a nação seu prazer de assistir a uma partida.

Houve quem até pensou em adquirir uma flâmula, mas "não teve tempo" ainda. Entre os que tiveram tempo e disposição financeira, nota-se aqui e ali um certo tom de desculpa, quer no laconismo da admissão, quer num aparte como o de Rolf, de cerca de 40 anos.

Ele acha que é preciso "prestar atenção para não ver as coisas de um jeito nacionalista demais, na base do 'nós somos os maiores'. Já tivemos isso tudo, não é?". Mas está confiante de que, nesse meio tempo, os alemães tenham aprendido mais sobre sua atitude frente a outras nacionalidades.

É ou não é?

Afinal, trata-se de patriotismo ou não? Hans ainda não sabe se se pode falar de um "novo patriotismo", mas considera positivo que a gente se alegre, já que é "de alguma forma 'antialemão' simplesmente achar algo legal. Por isso, acho legal!".

Claudia acha boa a questão e avalia que a agitação se deve mais ao fato de a Copa 2006 se realizar na Alemanha. Por isso esse clima de "estamos torcendo por nossa seleção!", o que não ocorreria se o torneio estivesse programado para outro local.

Niles, inglês que já residiu na Alemanha na década de 1980, acha o país muito mais liberal agora e aprecia a atmosfera de entusiasmo. Mas ressalva que em Londres a agitação, as bandeiras, a euforia pelo futebol são muito mais intensas.

No geral, o atual clima é percebido como positivo pelos entrevistados. Alguns afirmam jamais haver vivido tal situação. Eles se confessam surpresos e esperam – embora não sem uma certa dose de ceticismo – que pelo menos parte do otimismo sobreviva ao 9 de julho.

Uma exceção é Anne, de 38 anos, que não gosta quando as coisas ficam "nacionalistas demais" e para quem o excesso de bandeiras pretas, vermelhas e amarelas é decididamente "constrangedor". Contudo, nem o medo do excesso nem o constrangimento a impedem de estar torcendo fervorosamente para que Alemanha saia vencedora.

O dia seguinte

Torcendo ou não, muitos dos abordados não crêem que o estado de exceção durante o evento venha a modificar os destinos da nação. Hans cita o apresentador e humorista Harald Schmidt, segundo quem, o mais tardar lá pelo Natal, os alemães terão voltado a ser eles mesmos.

E aí virá o aumento do imposto sobre valor agregado (marcado para 1º de janeiro de 2007), e a realidade estará de volta. Mas pelo menos a Copa mostra que um tal estado é possível. "Acho que a experiência ficará", comenta.

Jonas, de 26 anos, também já antecipa o aumento do IVA. Quando este chegar, ou quando se tratar de procurar um emprego, "não acho que ninguém ficará agitando bandeiras", diz cético.

Sabedoria zen

Quanto à questão sobre se se trata de um fenômeno duradouro, a resposta é praticamente unânime: assim que o mundial acabar ou a Alemanha for desclassificada, as cores nacionais retornam para o porão.

Note-se, boa parte dos que portam a bandeira são de outras nacionalidades, o que, por definição, já esvaziaria a questão do patriotismo. Porém talvez a melhor resposta seja a de Jochen, de 43 anos, que, de um só golpe, contorna a questão e vai ao seu cerne.Por que não está carregando uma bandeira alemã? "Porque não ligo muito para futebol", replica, com simplicidade desarmadora. É, visto assim, parece que tudo não passa mesmo uma febre passageira de Copa.

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