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Economia

O que está por trás da turbulência nas bolsas da China?

Para analistas, principal fator é o comportamento agressivo de jovens investidores, que têm uma participação cada vez maior no mercado de ações. Efeitos de um possível "crash" na chamada economia real seriam limitados.

Depois de três semanas de relativa calma no mercado financeiro chinês, uma forte queda nas bolsas de Xangai e Shenzen, na segunda-feira (27/07) e, em menor escala, nesta terça-feira (28/07), deixaram investidores e analistas novamente inseguros.

Depois de os índices recuarem mais de 8% na segunda-feira – a maior queda diária desde 27 de fevereiro de 2007 – o Estado anunciou a compra de ações para estabilizar os mercados. O Banco Popular da China (banco central) anunciou que garantiria "a liquidez adequada por meio de diversas medidas monetárias e políticas".

Ainda assim, os dois principais índices, CSI 300 e o Shangai Composite Index, voltaram a cair nesta terça-feira, respectivamente 0,2% e 1,7%.

Analistas duvidam que medidas intervencionistas e estabilizatórias por parte do Estado sejam uma solução de longo prazo para o mercado chinês de ações. O Estado já havia adotado essa estratégica durante a primeira queda vertiginosa, iniciada em meados de junho e que durou três semanas. Mesmo assim, as bolsas caíram cerca de 30%.

Entre as medidas então adotadas estavam redução de juros, flexibilização das regras para empréstimos destinados a investimentos em ações, e o anúncio de que o Estado ajudaria corretoras de valores com empréstimos. Nada disso impediu a contínua queda dos pregões.

Medidas adicionais foram anunciadas, como a limitação e até suspensão das ofertas públicas iniciais (IPOs, em inglês, ou a entrada de uma empresa na bolsa, com a sua primeira venda de ações), bem como uma ação combinada das 21 maiores corretoras de valores da China.

Elas concordaram em colocar o equivalente a 21 bilhões de dólares, ou 15% do seu patrimônio líquido, em fundos de investimentos negociados nas bolsas de valores. Elas anunciaram também que não venderiam ações em seu poder até que o Shangai Composite Index retornasse à marca de 4.500 pontos. Nesta terça, ele estava em 3.663 pontos, depois de ter se recuperado e chegado a 4.211 pontos em 13 de julho.

Essas medidas, somadas aos bilhões de yuans disponibilizados pelo banco central, mostraram resultado e levaram a uma estabilização a partir de meados de julho. As bolsas haviam se recuperado cerca de 15%.

Investidores jovens

Por que, então, essa nova queda nesta segunda-feira? Como sempre em situações assim, as explicações dos analistas são as mais diversas e mais parecidas com suposições do que com esclarecimentos sólidos, afirma a revista britânica The Economist. A respeitada publicação elege um fator até então esquecido como força motriz das repentinas quedas no mercado chinês de ações:

os jovens investidores

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China Börse in Hongkong

Forte queda nas bolsas de Xangai e Shenzen deixaram investidores e analistas novamente inseguros

Segundo o semanário, em 2004 apenas 27,8% dos investidores tinham menos de 30 anos. Em 2013, eles eram 36,1%. No início de 2015, o mercado chinês de ações se encontrava no meio de um boom que o tornaria três vezes maior em apenas 12 meses. Ao mesmo tempo, 8 milhões de participantes entraram no mercado de ações no primeiro trimestre de 2015, e 62% deles nasceram depois de 1980. Apenas 5% tinham mais de 55 anos.

Analistas chineses veem uma relação entre essa situação e a forte volatilidade das bolsas, já que 80% das transações são feitas por pequenos investidores, e os jovens são especialmente agressivos quando se trata de comprar ações com dinheiro emprestado. Aparentemente, eles não conseguem se livrar da tentação do ganho fácil e rápido, como descrito no blog de uma jovem chinesa:

"A bolsa se comporta como o seu amante. Ele lhe traiu várias vezes, mas você acredita que ele vai melhorar e se manter fiel. Mas ele continua ultrapassando a linha vermelha que você lhe deu e lhe machucando. Mas fazer o que quando se está grávida dele!"

Efeitos limitados

Seja como for – os especialistas discordam tanto sobre as causas da queda vertiginosa nos mercados de ações como sobre os efeitos dela na chamada economia real e também sobre a economia mundial. A tese dominante é que os efeitos da turbulência serão limitados.

Para o analista Wei Yao, do banco francês Société Générale, é evidente que um crash das bolsas teria efeitos dolorosos, por exemplo uma desaceleração do crescimento entre meio e um ponto percentual nos próximos 12 meses. Ainda assim, as consequências imediatas seriam suportáveis, já que as ações têm uma participação pequena no patrimônio dos chineses (cerca de 6% em 2013).

Para a economia real, muito mais importante é a confiança do consumidor, avalia Wei Yao. "Enquanto o mercado de trabalho se mantiver estável, as famílias não vão gastar menos por causa de seus investimentos equivocados nas bolsas", afirma.

Entre os analistas há, porém, uma unanimidade: as lideranças chinesas terão que decidir, mais cedo ou mais tarde, se vão deixar as forças de mercado ditarem o rumo das bolsas ou se vão causar um caos ainda maior por meio de intervenções às pressas.

Até agora, parece que Pequim tem mais confiança na mão de ferro do Estado: "Diante dos relatórios de supervisão das bolsas e das queixas dos cidadãos, a autoridade regulatória iniciou hoje um inquérito penal. Essa ação mira principalmente as causas da venda em grande escala de papéis no dia 27 de julho", afirmou a comissão reguladora dos mercados financeiros.

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