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Mundo

O que atrai os refugiados à Alemanha?

Muitos dos migrantes que chegam à Áustria, vindos da Hungria, se recusam a permanecer no país e desejam seguir viagem até território alemão. Seus motivos se baseiam mais em mitos do que na realidade.

Farah Aly caminha por uma área de espera da Cruz Vermelha em Nickelsdorf, a sudeste de Viena, sem saber o que fazer. Ela está na fronteira com a Hungria, aonde chegou após pagar 1.500 euros a um homem que deveria levá-la, juntamente com seu filho de dois anos e meio, para a Alemanha. Após 15 dias de viagem, Farah e as outras 29 pessoas do grupo foram abandonadas em um campo aberto na Áustria e encontradas pela polícia.

Mas, em vez de sentir gratidão por ter sido levada a um lugar seguro onde ela e seu filho podem comer e beber, a iraquiana de 32 anos está à beira do desespero. Ela diz que seu filho tem um defeito de nascença, e que apenas os médicos alemães podem ajudá-lo.

"Tenho que ir para a Alemanha", afirma. "Não posso ficar aqui."

Ao ser informada que a Áustria, assim como a Alemanha, possui um sistema de saúde bastante avançado, ela parece não acreditar. Nunca ouviu ninguém em Bagdá falar sobre a Áustria. Já a Alemanha, é rica. Angela Merkel, afirma Farah, prometeu receber os refugiados. É um país bom, que poderá ajudar seu filho a recuperar os movimentos do braço direito.

Ela não está só. Farah, assim como muitos dos 34 mil refugiados que chegaram à Áustria, não quer ficar ali. Na segunda-feira, quando a polícia tentou remover cerca de 15 sírios que chegavam da Hungria, eles imediatamente iniciaram um protesto passivo aos gritos de "Alemanha, Alemanha!"

Depois de algum tempo, eles foram convencidos a deixar a estação de trem. Mas a maioria dos refugiados não é persuadida tão facilmente. Logo ao desembarcar do trem que chega de Budapeste, a pergunta que mais se ouve é sobre qual é o próximo trem para "Allemagne".

"A Alemanha vai nos receber"

Uma mulher que se identifica como Kaffaa chega com o marido e a filha. Ela conta que a menina está doente, mas que vai pedir assistência médica só quando chegar a Munique.

"A Alemanha não é um problema para nós. A Alemanha vai nos receber", afirma.

A maioria dos migrantes deseja encontrar seus familiares em outros países. Outros, como cinco iraquianos que dormem na estação de Viena enquanto pensam em como chegar à Inglaterra, temem que a polícia austríaca possa evocar a "Diretriz de Dublin" e enviá-los de volta à Hungria.

Ungarn Österreich Flüchtlingskinder schlaffen auf dem Boden

Maioria dos migrantes que chegam à Áustria deseja seguir viagem a outros países

A Diretriz de Dublin é a regulamentação da União Europeia que estabelece que os refugiados devam pedir asilo no país europeu aonde chegaram inicialmente. Os migrantes, porém, afirmam que não querem permanecer em países como a Hungria, onde não são bem tratados. Querem viver em nações onde se sintam bem recebidos.

Ahmet Hussein, de 40 anos, diz que quer chegar à Bélgica porque acredita que, lá, conseguirá uma casa. Ele deixou a esposa e os filhos no Iraque enquanto busca um lugar seguro para viver. Ahmet conta que sua família economizou durante meses para pagar 1.500 euros a um atravessador que lhe havia prometido uma viagem segura.

"Na Bélgica, há uma grande chance de que meus filhos possam estudar", afirma. "Na Alemanha, há muitas possibilidades de trabalho se eu aprender alemão", explica, reproduzindo o que "se diz nas ruas".

Omar Kirwan, um curdo iraniano, conta que iniciou sua viagem à Europa no dia 29 de julho. Ao chegar a Istambul, pagou 8 mil euros a um atravessador para chegar até a Inglaterra. "Gosto das pessoas, sei sobre o país. Falo um pouco de inglês", diz. "Aqui, não sei de nada".

Mitos e realidade

Ele imagina que, ao chegar à Inglaterra, vai receber dinheiro todos os meses até encontrar trabalho, e acredita ainda que vai receber uma casa.

Muitos trazem noções que parecem um tanto idealizadas sobre os países europeus, e elas parecem se basear em meias-verdades. De fato, é possível que os refugiados recebam moradias do Estado e ajuda financeira, e alguns países oferecem cursos de idioma. Isso, porém, vale não só para a Alemanha, mas também para a Áustria.

"Aqui na Áustria, não há trabalho e os salários não bastam para sobreviver", pondera Hussein.

O fundamental é que eles puderam vivenciar o quanto é difícil chegar até a Europa. Agora que ele está lá, Kirwan já pensa de modo diferente sobre a Áustria. Quando foi apanhado pela polícia na Sérvia, ele diz que teve que pagar 100 euros para que o deixassem seguir viagem. Já na Áustria, os policiais foram simpáticos.

Hamza Alsawah, um jovem de 15 anos de Aleppo, na Síria, está na cidade austríaca de Traiskirchen. Ele também queria inicialmente chegar à Alemanha, mas acabou sendo apanhado em território austríaco, e agora diz que está contente com o seu destino.

Ele passa os dias em frente ao centro de acolhimento da cidade, ajudando os voluntários da organização humanitária Caritas a distribuir alimentos e roupas aos recém-chegados. Todos os austríacos que encontrou eram simpáticos, diz ele. É divertido estar com eles.

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