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Mundo

O que é preciso para fazer uma bomba atômica

O programa nuclear do Irã preocupa a comunidade mundial. Os europeus querem levar a questão ao Conselho de Segurança da ONU. Mas enriquecer urânio significa logo estar apto a construir uma bomba atômica?

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Protesto contra programa nuclear do Irã, diante do Ministério do Exterior de Berlim

Para construir uma bomba atômica, precisa-se sobretudo de material radioativo sujeito a fissão nuclear, ou seja, urânio ou plutônio. É preciso acumular uma certa quantidade da substância num mesmo lugar: atingida a chamada "massa crítica", inicia-se uma irrefreável reação em cadeia.

Segundo Götz Neuneck, do Instituto de Pesquisa da Paz e Política de Segurança da Universidade de Hamburgo, dependendo do tipo da matéria-prima e do potencial explosivo desejado, são necessários entre 20 e 50 quilos de urânio. No caso do plutônio, bastam de seis a oito quilos.

Französischer Atomtest auf dem Mururo-Atoll 1971

Teste atômico da França no Atol de Mururoa, em 1971

"A regra simplificada é: basta uma quantidade de material físsil equivalente a uma toranja grande, ou uma bola de beisebol menor. Assim, do ponto de vista quantitativo, não é preciso muito para alcançar uma força destrutiva superior à da bomba de Hiroshima", explica Neuneck.

Princípio de construção simples

Também simples é o princípio segundo o qual se constrói uma bomba atômica. Ela se compõe de um bastão de urânio, o qual deve encaixar-se perfeitamente num cilindro oco, feito do mesmo material.

Isolados, nenhum dos dois possui massa crítica, não sendo, portanto, passíveis de explosão. Para que esta ocorra, emprega-se um dispositivo químico de detonação: este inflama o bastão, a massa crítica é ultrapassada e a bomba explode.

Na prática, o empreendimento é bem mais complexo, pois envolve pesquisa, testes exaustivos e domínio das técnicas de detonação. Porém o passo mais difícil continua sendo conseguir urânio ou plutônio apropriado para o uso armamentista.

Variante 235 ou 238, eis a questão

Luftaufnahme Iran Atomanlage in Natan

Imagem de satélite da usina nuclear de Natanz, Irã

O urânio natural não se presta ao emprego numa bomba atômica, por compor-se de tipos diferentes do elemento radioativo: 99,3% é urânio 238 – uma variante relativamente estável e portanto pouco sujeita a fissão – e somente 0,7%, urânio 235, utilizável em armamento nuclear.

A técnica para elevar artificialmente a concentração da variante 235 denomina-se "enriquecimento". Nela se empregam enormes centrífugas, em cuja parte externa a variante 238, mais pesada, se acumula.

Se esse processamento é prolongado, chega-se a de 90% de urânio 235 e 10% de urânio 238. Essa mistura, o "urânio altamente enriquecido", é própria para uso armamentista.

Uso civil ou militar: só inspetores podem saber

IAEA Mohamed ElBaradei

Mohamed El Baradei, diretor geral da AIEA

O plutônio, segundo material empregado na bomba atômica, é também derivado do urânio: ele se forma nos elementos combustíveis irradiados dos reatores nucleares. Sua extração se dá em complexas e caras estações de reprocessamento.

Assim, as nações que adotam a energia termonuclear estão em clara vantagem, no tocante ao emprego militar do urânio e plutônio, comenta Götz Neuneck: "Em princípio, os países que dispõem de técnica nuclear para uso civil também estariam aptos a produzir armas atômicas. Porém, eles se comprometeram a não fazê-lo, no Acordo de Não-Proliferação".

A principal responsável pela fiscalização do acordo é a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), sediada em Viena. Para tal, ela envia seus inspetores às usinas termonucleares e estações de reprocessamento de todo o mundo. Pois nem mesmo através das mais modernas técnicas de espionagem por satélite é possível determinar, de fora, se uma fábrica serve a fins civis ou militares.

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