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Estudar na Alemanha

O "Processo de Bolonha" sob o ponto de vista brasileiro

Mudanças redesenham os contornos do ensino superior na Europa. Para o Brasil, isso também acarreta mudanças. A DW–WORLD.DE conversou com estudantes brasileiros e autoridades, no Brasil e na Alemanha, sobre o assunto.

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O ensino europeu de educação superior está em processo de renovação. Na Alemanha, as mudanças já estão em andamento

O cenário estudantil europeu não será mais o mesmo depois de 2010. A implementação do Processo de Bolonha, que visa a reestruturação do sistema de ensino superior, está a pleno vapor no continente.

Na Alemanha, país que iniciou o debate sobre a necessidade de mudanças no ensino, 67% dos cursos superiores oferecidos atualmente em universidades já correspondem aos novos critérios.

Para avaliar o impacto dessas alterações para o estudante brasileiro que pretende estudar ou já estuda na Alemanha, a DW-WORLD.DE conversou com autoridades e estudantes brasileiros, no Brasil e na Alemanha.

Fator Tempo

Bafög Hörsaal Universität Studenten

67% dos cursos superiores oferecidos atualmente na Alemanha já correspondem aos novos critérios

Através da proclamada "mobilidade educacional", um estudante poderá iniciar um programa de bacharelado, com uma duração de três anos, em qualquer universidade européia vinculada ao Processo de Bolonha.

Ele não poderá, porém, exceder esse período, porque ambos os programas − o bacharelado e o mestrado − têm que ser concluídos dentro de cinco anos. Ou seja, se o aluno levar quatro anos para concluir seu bacharelado, terá apenas mais um ano para prosseguir com seu mestrado.

Este relativamente curto espaço de tempo para a conclusão dos cursos é, na opinião de Renato Janine Ribeiro, diretor de avaliação da Fundação Capes, o mais preocupante no novo sistema: "Receio que três anos não sejam suficientes para a conclusão de um doutorado."

O pernambucano Leonardo Nóbrega da Silva, 22 anos, tem opinião semelhante: "a implementação do Processo de Bolonha mostra que a universidade caminha para um propósito único de profissionalização e competitividade no mercado mundial". O estudante de Ciências Sociais na UFPE ressalta, ainda, que "um bachelor de três anos não permitirá que o aluno assista aulas que não as que fazem parte de sua grade obrigatória".

Luis Octavio Noschang

Luis Octávio: o Processo de Bolonha facilitará a entrada nas instituições de ensino européias

O fator tempo, porém, é para outros estudantes um dos grandes atrativos do novo sistema. Como para Luis Octávio Noschang, de 25 anos. O Processo de Bolonha, segundo Luis, "facilita a entrada e encurta o tempo de pós-graduação".

O gaúcho estuda Media Production (Produção de Mídia) na Escola Superior de Ciências Aplicadas de Darmstadt − graduação a ser concluída com o título de bachelor − e é só elogios ao novo sistema: "o Processo de Bolonha permitiu a criação do meu curso em parceria com uma instituição da Irlanda. Algo assim não seria possível no antigo sistema".

Qualidade ameaçada

Rund 400 ausländische und staatenlose Jugendliche, das sind knapp 10 Prozent der Studienanfänger, haben sich für das Wintersemester eingetragen.

Espaço para diferenças culturais nas universidades européias é importante

A discussão em torno do tempo de estudo traz também outras implicações, como a possível perda de qualidade. Lilian dos Santos, que estudou Sprachlehrforschung (Linguística Aplicada ao Ensino de Idiomas) na Universidade de Hamburgo, graduação concluída com o título de magister, receia que o novo sistema exclua o estudante não europeu: "Espero que ainda haja espaço para as diferenças culturais nas universidades européias".

Já Eline Seelig veio de Brasília para estudar Letras na Universidade de Flensburg (gradução a ser concluída com o título de bachelor). Na opinião da estudante de 23 anos, a Alemanha, ao adotar o Processo de Bolonha, "jogou a excelência e a reputação do seu antigo sistema de educação superior no lixo".

Eline Seelig

Eline Seelig: a Alemanha jogou excelência e reputação no lixo ao adotar o novo sistema

A universitária está desgostosa: "comecei a estudar por achar que iria encontrar a verdadeira 'Geisteswissenschaft' [ciência humana] e o que enfrentei na realidade foi uma máquina que produz profissionais o mais rápido possível e de forma mais econômica."

Leia na próxima página a opinião de autoridades brasileiras sobre o Processo de Bolonha e o reconhecimento de créditos adquiridos no exterior.

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