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Alemanha

O problema dos números invertidos

Quem conhece um pouco de alemão sabe o quanto é difícil se acostumar com o sistema de números "invertidos". Os matemáticos estimam que isto é uma desvantagem e estão propondo uma reforma do idioma.

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De fato, os alemães dizem os números de trás para frente. Por exemplo, 21 e 45 são falados "um e vinte" ( einundzwanzig) e "cinco e quarenta" ( fünfundvierzig), e não "vinte e um" e "quarenta e cinco", como em português, inglês, francês, entre tantos idiomas.

Mesmo para os alemães este sistema não deixa de ser confuso. Por exemplo, quando alguém diz que uma mercadoria custa "um e vinte", o preço pode ser interpretado tanto como 21 euros quanto 1,20 euro.

Os números invertidos são problemáticos também na comunicação por telefone. Por isso é que em alemão, nas conversas telefônicas, muitos costumam dizer cada um dos algarismos separadamente, e não agrupados em dezenas ou centenas como em português.

Desvantagem para aprender matemática

A inversão dos números dificulta também o aprendizado de matemática na Alemanha, na opinião do matemático Lothar Gerritzen, professor da Universidade de Bochum. As crianças saem prejudicadas e estão em desvantagem em termos internacionais.

De fato, o desempenho dos escolares alemães em matemática deixa muito a desejar, segundo o Pisa (Programme for International Student Assessment), um estudo comparativo realizado em 2000 pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) para avaliar o nível de ensino em 32 países, inclusive o Brasil.

No ranking do desempenho em matemática os escolares alemães ocuparam o modesto 20º lugar, muito atrás do Japão (1º) e Coréia do Sul (2º) e superados pela maioria dos países europeus. O Brasil ficou em último lugar.

Colóquio na Universidade

A hipótese de que a inversão dos números constitui um obstáculo à compreensão matemática será discutido num seminário na Universidade de Bochum no dia 19 de janeiro, com a participação de matemáticos, cientistas, neurologistas e psicólogos.

O assunto não deixa de ser polêmico. Os críticos mais radicais, como o professor Lothar Gerritzen, propõem que o idioma seja modificado, adaptando-se aos padrões da maioria das línguas. Ou seja, ao invés de einundzwanzig (um e vinte) deveria se dizer futuramente zwanzigundeins (vinte e um).

Isto seria uma grande revolução da língua alemã, que exigiria uma reforma do ensino básico.

Por outro lado, várias outras línguas aparentadas ao alemão, como o sueco, norueguês e holandês, possuem o sistema de números invertidos. E em francês, por exemplo, o número 98 se diz quatre-vingt-dix-huit (quatro vinte dezoito)!

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