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Mundo

O problema Bashar al-Assad

Especialmente desde os recentes atentados em Paris, o presidente da Síria tenta se oferecer como parceiro do Ocidente na luta contra o "Estado Islâmico". No entanto, cooperação com Assad pode não fazer parte da solução.

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Presidente sírio, Bashar al-Assad

"Há partes das tropas na Síria que poderiam muito bem ser empregadas", declarou a ministra alemã da Defesa, Ursula von der Leyen, no último domingo à emissora pública alemã ZDF. A oposição em Berlim se mostrou indignada. "Não consigo imaginar o consentimento para uma missão militar que implique lutarmos lado a lado com Bashar al-Assad [presidente sírio]", afirmou, por exemplo, a chefe da bancada parlamentar do Partido Verde, Katrin Göring-Eckardt.

Nesta segunda-feira (30/11), o porta-voz do Ministério da Defesa em Berlim, Jens Flosdorff, esclareceu mais uma vez a posição do governo alemão: "Atualmente, não vai haver nenhuma cooperação com Assad, como também nenhuma cooperação com as tropas sob seu comando."

Então, como se deve lidar com Assad? Desde o início da guerra civil na Síria, há mais de quatro anos, o presidente tem se oferecido aos países ocidentais como um possível parceiro na luta contra o terrorismo jihadista. Recentemente, ele tentou entrar novamente em cena, um dia após os atentados de Paris, que deixaram 130 mortos no último dia 13 de novembro.

"Três anos atrás, já havíamos alertado sobre o que poderia acontecer na Europa", disse Assad à emissora de TV Europe 1. "Infelizmente, os responsáveis na Europa não nos deram ouvidos. Não faz nenhum sentido só emitir declarações contra o terrorismo. É preciso combatê-lo", afirmou.

"Vamos eliminá-los"

Essa posição é basicamente a mesma que se vê nos círculos políticos e de segurança do Ocidente. "Vamos eliminá-los, vamos matá-los", escreveu o jornal francês Le Monde, citando um assessor do presidente François Hollande. Na escolha dos meios, não há comedimento, continuou o diário, mencionando outra fonte. "Vamos continuar a realizar ações de inteligência, sobre as quais não podemos prestar contas publicamente. É importante dar continuidade."

Segundo o agente de segurança, o presidente Hollande estaria de pleno acordo com essa estratégia, em torno da qual já haveria consenso em Paris mesmo antes dos atentados. O Le Monde publicou essa notícia no início de novembro, alguns dias antes dos ataques em Paris.

Desde então, a pressão para combater os terroristas aumentou ainda mais. Nas últimas duas semanas, Hollande tem tentado formar uma coalizão internacional contra o "Estado Islâmico" (EI). O maior obstáculo é Assad, com quem a França não quer estabelecer nenhuma cooperação, nem mesmo depois dos atentados de 13 de Novembro.

O ministro do Exterior francês, Laurent Fabius, disse à emissora Inter que, em princípio, uma cooperação com as forças militares sírias é concebível, mas antes é preciso que Assad deixe o comando das Forças Armadas. "Sob Assad isso não é possível", afirmou.

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Voluntários socorrem vítimas de bombardeio russo em Ariha, na província de Idlib

"Um sapo altamente tóxico"

Embora o governo alemão – que

pretende enviar aviões de reconhecimento e cerca de 1.200 soldados para a luta contra o EI

– tenha se posicionado da mesma maneira que o governo em Paris em relação a Assad, a discussão em torno da questão se a luta contra o EI pode ser vencida sem o apoio do governante sírio continua.

"As únicas tropas terrestres elegíveis são as tropas de Assad", declarou o ex-diplomata e chefe da Conferência de Segurança de Munique, Wolfgang Ischinger, nesta segunda-feira ao diário Handelsblatt. Por esse motivo, afirmou Ischinger, "é preciso engolir o sapo Assad até segunda ordem".

Assad, no entanto, seria um "sapo altamente tóxico", comentou o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) sobre a avaliação de Ischinger. De acordo com o FAZ, o governante sírio tolerou durante muito tempo os jihadistas, que combatiam também os opositores do regime sírio, a oposição secular. Ao mesmo tempo, em comparação com o EI, Assad tem se mostrado um mal menor, afirmou a publicação.

Acima de tudo, advertiu o jornal, uma cooperação com Assad seria uma punhalada contra as forças seculares. Pois elas já vêm combatendo o presidente sírio nos últimos quatro anos. E, nessa luta, elas já tiveram de fazer pesados sacrifícios. "Através da cooperação com Assad, o Ocidente ganha dezenas de milhares de novos inimigos, que dedicaram suas vidas à luta contra Assad", escreveu o FAZ.

Riscos incalculáveis

Portanto, uma aliança com Assad parece ser inconcebível, por trazer consigo riscos incalculáveis. Pois, na Síria, também está em ação a Rússia, parceiro mais engajado de Assad e que combate vigorosamente todos os adversários do presidente sírio – também a oposição secular. Ao mesmo tempo, Moscou não tem nenhuma consideração pela população civil.

No último fim de semana, a Força Aérea russa bombardeou posições jihadistas na província de Idlib. Segundo relatos da imprensa, dezenas de civis foram mortos nos bombardeios. Enquanto isso, aviões sírios lançavam 20 bombas de barril em Daria, no oeste de Damasco, também sem levar em conta a presença de civis. Somente neste ano, as bombas de barril lançadas por Assad já mataram cerca de 3 mil pessoas, de acordo com a mídia.

Com a violência implacável contra civis, Assad arrisca alcançar o oposto daquilo que declara publicamente ser o seu principal objetivo, ou seja, destruir o EI. Suas bombas de barril ameaçam aumentar cada vez mais o número de seguidores dos jihadistas.

Por esse motivo, para o Ocidente, a cooperação com Assad não é somente uma questão moral, mas também estratégica. Se os ocidentais se apresentarem como parceiros de um regime que não se importa com a vida de seu povo, eles põem em risco a própria reputação na região e para muito além das fronteiras sírias. E, assim, mais uma vez o Ocidente se apresentaria para grande parte da opinião pública árabe como parceiro de um ditador criminoso.

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