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Mundo

O pesadelo não acabou

Para os reféns que conseguiram sair com vida do brutal seqüestro em Beslan, voltar à normalidade será um processo difícil. Especialmente as crianças terão mais dificuldade para superar este trauma.

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Crianças fugindo do cativeiro

As mais de cinqüenta horas de terror vividas pelos reféns que foram seqüestrados em uma escola de Beslan, na Ossétia do Norte, deixarão marcas profundas em cada um dos sobreviventes. Sem água, alimento ou medicamento, confinados no ginásio de esportes sem qualquer ventilação, presenciando cenas de brutalidade inimagináveis por dois dias são vivências que geram não só danos físicos como também – e especialmente – psíquicos.

O pânico estampado no rosto das crianças que corriam a esmo em busca de um abrigo, tentando fugir da mira de seus algozes quando houve o derradeiro confronto entre os terroristas, a polícia e a população armada, é uma cena que impressionou milhões de pessoas em todo o mundo. Para os que viveram estes momentos, a situação é ainda muito mais chocante.

Geiseldrama Video-Still Nord-Ossetien

Criança sendo salva

Se para os pais e professores envolvidos no seqüestro o trauma será difícil de ser superado, muito mais complicado será para as crianças, que também perderam amigos e parentes. O processo pode demorar meses e até anos até que elas consigam levar novamente uma vida normal, sem medos. As reações podem ser as mais imprevisíveis. "Pode acontecer que crianças traumatizadas fiquem mudas ou extremamente agressivas", alertou Christian Lüdke, psicólogo alemão especializado no tratamento de traumas psíquicos.

Tempo e apoio

De acordo com o especialista, os alunos precisam agora de "tempo e muita calma para poder voltar à normalidade". Sob hipótese nenhuma eles devem ser obrigados a ficar contando para todos os curiosos detalhes da experiência. São os pais ou outras pessoas mais chegadas que devem transmitir confiança às crianças, mostrando disposição para ouvir suas angústias e boa-vontade para distraí-las.

Trauer in Russland Fotografien von Kindern

Uma mulher chora ao ver as fotos das crianças

Outro aspecto importante é evitar passar para a criança o próprio medo. "Os adultos devem trabalhar o trauma somente com outros adultos", afirmou Lüdke. Ele também aconselha um certo distanciamento temporário do local da tragédia. "Se possível, seria bom levar as crianças para longe do local onde foram seqüestradas".

Um método terapêutico bastante usado com crianças que sofreram experiências traumáticas é o que faz uso de jogos e brincadeiras. Um exemplo seria o teatro, onde cada um trabalha seu trauma transferindo seus sentimentos para um personagem. Neste caso, a criança consegue expressar seus medos sem ter a sensação de que está se expondo. "Os pais não devem impedir este tipo de brincadeira", aconselhou o psicólogo.

Como ajudar de fato?

Geiselnehmer lassen Frauen und Kinder frei

Mulher com uma criança, ex-refém, nos braços

Crianças com menos de dez anos apresentam ainda mais dificuldade para superar um trauma como o de Beslan. "Elas não conseguem mas querem entender o que aconteceu. Isso acaba desencadeando um sentimento de culpa", analisou Lüdke. As crianças começam a desenvolver pensamentos do tipo "isso só aconteceu porque eu fui para a escola".

Os pais devem bloquear este sentimento de culpa, lembrando repetidamente aos filhos que eles não fizeram nada de errado. Finalmente, o psicólogo alemão aconselha às vítimas, que depois de seis meses ainda não conseguiram superar o trauma, a procurar ajuda especializada.

Geiseldrama weiende Frauen Nordossetien

Mulheres choram com a tragédia

Resta saber se estes ex-reféns e seus familiares, pessoas humildes de uma pequena cidade do interior, têm consciência disso. Até a semana passada, nenhum deles tinha sequer idéia da dimensão de um ato terrorista, nem da maldade humana. Quem poderia supor que seus filhos passariam por isto? Que criança seria capaz de imaginar viver circunstâncias tão horrendas?

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