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Alemanha

O perigo não mora mais ao lado

Ministro alemão da Defesa anuncia redução de gastos da pasta. Prioridade máxima da medida é tornar as Forças Armadas mais capazes para missões fora do país, relegando a segundo plano a defesa direta de território.

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Ministro da Defesa Peter Struck: redistribuição de verbas, priorizando missões fora do país

Com a queda do Muro de Berlim em 1989, ruíram também todas as estratégias de defesa da Alemanha Ocidental, consolidadas durante décadas de Guerra Fria. Desde então, o país reunificado vê-se frente a um Exército extremamente bem equipado para funções de que pouco necessita. O perigo de invasão pelo inimigo vindo do outro lado da fronteira soaria hoje tão ridículo quanto ter medo de um sistema comunista não mais existente.

Dando continuidade a uma reforma iniciada por seu antecessor Rudolf Scharping, o ministro alemão da Defesa, Peter Struck, anunciou nesta sexta-feira (21) um pacote de medidas de austeridade para sua pasta. Cerca de 3,2 bilhões de euros deverão ser poupados através da contenção de gastos com caças, tanques de guerra, lanchas e helicópteros. Além disso, a Aeronáutica e o setor de aviação da Marinha deverão desativar pelo menos 80 caças Tornado.

Dinheiro fica - As verbas serão, no entanto, mantidas pelo Ministério da Defesa, que deverá investir os recursos em tecnologia da informação, na melhoria dos veículos destinados às forças especiais e na compra de carros blindados, entre outros. "Tudo o que for economizado deverá ficar no meu orçamento. Continua sendo verba da Defesa, que no entanto será usada para outros fins ", explica Struck.

Os planos anunciados pelo ministro deverão ser desenvolvidos no decorrer dos próximos dez anos, fazendo com que a Alemanha disponha de 1,1 bilhão de euros apenas para operações de combate ao terrorismo. Argumentando que um "ataque convencional ao território alemão" é hoje extremamente improvável, o Ministério da Defesa do país vê as missões estrangeiras como a lacuna mais séria dentro das Forças Armadas. A prioridade deverá ser dada, após a reforma, à capacidade do país em contornar crises também fora da área de ação da OTAN.

Longe de casa - A reestruturação na pasta da Defesa surge exatamente em um momento em que as intervenções das Forças Armadas fora do país crescem. Hoje, cerca de dez mil soldados alemães estão a serviço de diversas missões em todo o mundo. A maior e mais importante delas é a coordenação da Força Internacional de Ajuda e Segurança (ISAF) em Cabul, que a Alemanha divide com a Holanda desde meados de fevereiro. "A segurança alemã pode estar sendo defendida no Afeganistão", justifica Struck em seu novo conceito de Defesa para o país.

Recuo do Afeganistão – Por ironia do destino, exatamente quando o ministro anuncia que sua pasta deverá priorizar as missões no exterior, a tão proclamada presença das Forças Armadas alemãs em Cabul pode estar prestes a desaparecer. Em caso de uma guerra dos EUA contra o Iraque, "não excluo a possibilidade de que a situação se agrave", declarou o ministro alemão.

O perigo previsto pela Defesa alemã é de que grupos extremistas no Afeganistão venham a atacar alemães. Nesse caso, tanto funcionários de organizações de ajuda humanitária quanto soldados alemães deverão abandonar o território afegão em cerca de uma semana, contando para isso com a ajuda norte-americana. Apesar das divergências entre Berlim e Washington, o ministro não duvida de que os EUA manteriam sua proposta de auxílio, caso seja necessária uma evacuação de emergência de cidadãos alemães do Afeganistão.

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