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documenta

O Oriente não fica longe de Kassel

Terrenos em volta dos locais de exposição da "documenta" de Kassel são cultivados em dois projetos de intervenção urbana.

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Artista tailandês planta arroz no Parque Wilhelmshöhe

Sakarin Krue-On documenta 12

Sakarin Krue-On

"Migração da forma" é uma questão que norteia a documenta 12. Com a iniciativa de plantar arroz nos terraços do Parque Wilhelmshöhe, em Kassel, logo abaixo do castelo onde se exporá parte das obras da mostra, o artista tailandês Sakarin Krue-On promove a migração de plantas e técnicas de cultivo da Ásia para o centro da Alemanha. Se o verão alemão for seco, o arrozal deverá florescer em junho; caso chova demais, é possível que a plantação não vingue.

O experimento se define justamente pela indefinição. Pode ser que o primeiro arrozal ao ar livre jamais plantado na Alemanha fracasse por fatores climáticos. Ou então pela dificuldade de implantar os modos de produção tradicionalmente manuais em um ambiente cultural acostumado à alta tecnologia. Ou então pelos equívocos de tradução que possam surgir entre os realizadores do projeto, tailandeses e alemães.

Reisfeld in Vietnam

Cultivo manual ainda é praticado na Ásia

De qualquer forma, em um mundo sob acelerado processo de globalização, talvez seja interessante refletir sobre tudo aquilo que não pode ser transplantado tão facilmente de um lugar para o outro. A idéia de transformar os terraços do parque em terreno de cultivo também implica contrapor a apropriação cultural do solo, durante mais de 300 anos de intervenção paisagística no Parque Wilhelmshöhe, ao uso agrícola de uma área mais marcada como espaço cultural do que natural.

Ópio em Kassel

Ao contrário do arroz, a papoula é uma planta também nativa na Alemanha. E deverá cobrir toda a área em frente ao Fridericianum, outro local de exposição da documenta, conforma planeja a artista croata Sanja Ivekovic.

Mohnfeld in Afghanistan Männer

Plantação de ópio no Afeganistão

Por mais que a flor seja conhecida, seu simbolismo muda de lugar para lugar. E é justamente com as conotações políticas desta planta que a artista pretende jogar. Se, por um lado, a papoula vermelha é usada como símbolo de esquecimento e/ou memória, do sono, da morte ou da paixão de Cristo, ela também pode adquirir significados mais atuais.

No espaço cultural anglo-saxão, por exemplo, a memória dos soldados caídos na guerra é celebrada com esta flor. A espécie usada na produção de ópio, por sua vez, pode remeter à produção desta droga no Afeganistão, por exemplo.

É difícil de saber até que ponto um campo de papoulas em flor remeterá o visitante da documenta a questões políticas. Fato é que a área em frente ao Fridericianum já foi palco de uma das mais polêmicas ações ambientais do artista alemão Joseph Beuys.

Em um projeto concebido para a documenta 7 (1982), Beuys empilhou sete mil blocos de basalto em frente ao Fridericianum, um número correspondente às sete mil árvores a serem plantadas no espaço urbano de Kassel. O monte das pedras a serem colocadas ao lado de cada árvore plantada ia diminuindo conforme o ritmo do cultivo, encerrado cinco anos depois.

7 mil carvalhos, patrimônio cultural

Joseph Beuys

Joseph Beuys

7000 Eichen – Stadtverwaldung statt Verwaltung (Sete mil carvalhos – florestamento urbano em vez de administração municipal, um trocadilho com as palavras "Verwaldung" e "Verwaltung") duplicou o número de árvores de Kassel. Com esta "escultura social", que além de cinco tipos de carvalho incluía mais 36 outras espécies de árvores, Beuys provocou grande resistência entre os moradores da cidade.

Afinal, isso implicaria menos vagas para estacionar, mais folhas para varrer e mais motivos para acidentes de carro. Algumas árvores recém-plantadas chegaram até a ser destroçadas. Hoje, uma ação como 7000 Carvalhos não seria uma provocação tão grande. O grau de institucionalização das intervenções artísticas é tal que atualmente existe até uma associação para cuidar somente do futuro da escultura social de Beuys.

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