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Cultura

"O livro não é modelo fora de catálogo"

Morre na França filósofo Paul Ricoeur – O que separa Goethe de Schiller – Pequeno grande mercado suíço de livros – E algo mais nas novas Notas Literárias...

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'Uma casa sem livros é pobre, mesmo que o chão esteja coberto de belos tapetes e as paredes de valiosos quadros e tapeçarias.' (Hermann Hesse)

O filósofo francês Paul Ricoeur morreu no dia 20 de maio, nos arredores de Paris, deixando uma extensa obra que dialoga diretamente com a tradição de língua alemã. Além de ter sido diretamente influenciado por Martin Heidegger, Ricoeur – nascido em 1913 – traduziu Edmund Husserl para o francês enquanto prisioneiro de guerra na Alemanha e fez uma releitura de Sigmund Freud em Da Interpretação (1965).

Contra a "morte do sujeito"

Paul Ricoeur

Paul Ricoeur (1913-2005)

Enquanto os principais filósofos franceses do pós-guerra – entre os quais Michel Foucault e Jacques Derrida – convenciam o mundo da “morte do sujeito”, Ricoeur se manteve fiel à noção de uma subjetividade consistente, uma posição condizente à (nova) Hermenêutica alemã. Longe de atingir a radicalidade dos pós-estruturalistas e desconstrucionistas, suas reflexões sobre linguagem se atêm ao vínculo real entre palavra e mundo e tangenciam a teoria literária sobretudo em livros como A Metáfora Viva (1975) e Tempo e Narrativa (1983-1985).

A imprensa de língua alemã registrou a morte do pensador francês, destacando suas ligações e contrapontos com sua própria tradição filosófica. O diário Frankfurter Rundschau destaca o protestantismo de Ricoeur e sua insistência em conceitos como culpa, perdão e remissão, e sua leitura hermenêutica da Bíblia mediada pelo alemão Friedrich Schleiermacher. Para o Neue Z ürcher Zeitung, Ricoeur é o principal representante da Hermenêutica filosófica, ao lado de Hans-Georg Gadamer.

Hans-Georg Gadamer, deutscher Philosoph

Hans-Georg Gadamer (1900–2002)

O diário berlinense tageszeitung lembrou do epidódio que Paul Ricoeur – professor de Daniel Cohn-Bendit, um dos mentores do que viria a ser o movimento verde alemão ­– viveu como reitor da Sorbonne, cargo que assumiu um ano depois do início das revoltas estudantis, em maio de 1968. Apesar de se opor à reforma tecnocrática que comprometeria a autonomia das universidades francesas, Ricoeur não conseguiu estabelecer diálogo com os grupos radicais maoístas, que exigiam a “detonação da universidade burguesa”.

Studentenrevolte in Paris 1968

Revolta de estudantes em Paris, 1968

Numa das turbulentas ocasiões daquele ano, alguns maoístas esvaziaram uma lata de lixo na sua cabeça. Ricoeur renunciou ao cargo em 1970 e foi para os Estados Unidos, onde ensinou filosofia nas universidades de Yale e Chicago.

Para o Die Zeit, a morte de Ricouer em Châtenay-Malabry, nas imediações de Paris, no dia 20 passado, anuncia que a filosofia do século 20 está próxima de seu fim.

Vazio da linguagem pública

PEN Logo

PEN – Associção de Escritores

A associação de escritores PEN fez uma crítica ao discurso público em seu último encontro anual, ocorrido em Bochum, de 19 a 21 de maio. O alvo da denúncia foi a propagação de uma " linguagem rasa e desumana por trás da qual pode se ocultar qualquer coisa". A PEN, atuante na defesa de escritores perseguidos desde 1921, alertou para 15 autores ameaçados de morte, sobretudo escritores residentes na China, dos quais a associação não tem mais sinais de vida há anos. Atualmente seis escritores provenientes do Irã, de Cuba, da Turquia, Argélia, Síria e Chechênia estão exilados na Alemanha.

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