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Mundo

O leão que veio da Alemanha

Winfried Schäfer fala ao DW-WORLD sobre seu trabalho como técnico da seleção de Camarões e o futebol africano.

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Com sua "juba", Winnie se sente bem integrado aos "leões indomáveis"

Graças à sua cabeleira, Winfried Schäfer é considerado mais um dos "leões indomáveis" de Camarões. Criticado na Alemanha, recebeu convite para trocar de continente. Tornou-se campeão africano no início deste ano e partiu com sua seleção para a Copa do Mundo. Para chegar até o Japão, porém, a equipe encarou quase 24 horas de viagem, devido à falta de autorização para seu avião sobrevoar alguns países do Sudeste Asiático, obrigando-o a fazer pousos não programados.

A princípio, Schäfer encarava o duelo desta terça-feira como apenas a terceira partida da primeira fase. Mas aos poucos ele se conscientizou do que está em jogo. Como técnico de Camarões, poderá eliminar seu país, a Alemanha. Perder será decepcionar um povo que pôs em suas mãos sua maior paixão. No país africano, todos esperam que ele siga o exemplo de Bruno Metsu, o técnico francês de Senegal, que humilhou o campeão mundial na abertura do mundial.

Em entrevista ao DW-WORLD, o "leão" alemão fala de sua experiência no futebol africano.

DW-WORLD: Quando surgiu sobre sua mesa a oferta de Camarões, o Sr. ficou indeciso?

Schäfer: Não, porque não é todo dia que aparece uma chance de ir a uma Copa do Mundo. Além do mais, as pessoas se mostraram desde cedo muito simpáticas comigo. Eu olhei vídeos da equipe e me informei sobre os jogadores de Camarões que jogam na Europa. Logo percebi que poderia alcançar algo com estes garotos, como aconteceu na Copa da África.

DW-WORLD: O Sr. já havia estado antes na África?

Schäfer: Só havia pousado na África negra um vez, numa escala aérea. Acho que em Dacar. Apesar disto, estava bem informado. Eu havia procurado o ex-ministro do Exterior Klaus Kinkel. Ele me encaminhou a Harald Gans, ex-embaixador em Camarões e que lá treinou ao mesmo tempo uma equipe de futebol. Eu já fui sabendo o que tinha pela frente.

DW-WORLD: O Sr. estava preparado para as condições de trabalho, um tanto bizarras quando vistas sob perspectiva européia? Seus jogadores, por exemplo, voaram para a Copa da África num avião militar, alojados em redes.

Schäfer: Eu sei simplesmente que na África tais coisas são como são. Mas muita coisa já melhorou.

DW-WORLD: Em compensação, o entusiasmo com a conquista da Copa da África foi ainda mais impressionante...

Schäfer: Entusiasmo com futebol também há na Alemanha, mas não se compara. Em Camarões, futebol é gênero de primeira necessidade. Se a equipe ou mesmo eu sozinho apareço em algum lugar, o lugar vira logo um inferno. Seja diante da casa onde há uma entrevista coletiva, em frente ao hotel, ou num treino. Lá até 60 mil pessoas comparecem para ver um simples treino.

DW-WORLD: O fato de Camarões ter sido colônia alemã influi seu trabalho de alguma forma?

Schäfer: Pessoalmente, nunca vivenciei nada neste sentido, mas ouvi dizer que algumas pessoas eram contra um técnico alemão. Ou seja, foi um risco que o ministro dos Esportes assumiu. Se nós tivéssemos sido eliminados cedo na Copa da África, naturalmente o teriam criticado por ter confiado a seleção a um treinador alemão.

DW-WORLD: Desde 1990, se postula que o futuro do futebol está na África. Apesar disto, a participação de Camarões nas quartas-de-final do mundial daquele ano permanece sendo o maior êxito dos africanos. Por quê?

Schäfer: Só jogar futebol não basta num mundial. Também é preciso ter boa assistência médica, entre outras coisas. E as equipes africanas têm problemas neste campo. Falta igualmente experiência em competições, como tem a Alemanha. Na conquista da Copa da África, mostramos que nós já estamos à frente dos demais. Mas há ainda, claro, déficit tático, como se pôde ver já nas quartas-de-final daquele mundial de 1990, contra a Inglaterra. Camarões não queria vencer de 2 a 0, mas de seis e assim partia sempre para o ataque. Se Camarões tivesse jogado com um pouco mais de esperteza, teria sido o adversário da Alemanha na semifinal. Eles precisam ter cabeça fria em seus jogos.

DW-WORLD: E quando um time africano será finalmente campeão mundial?

Schäfer: Seria demais esperar isto em 2002. Talvez em 2006.

DW-WORLD: Com Winnie Schäfer como técnico?

Schäfer: Vamos ver.

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