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Cultura

O horror mora ao lado

Romances policiais ambientados na província são cada vez mais cultuados pelo público alemão. Editoras que apostam neste filão expandem-se em ritmo rápido.

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Paisagem idílica serve de cenário para policiais regionais

Os romances policiais alemães dos últimos anos tiveram praticamente a única metrópole do país, Berlim, como cenário. Entretanto, algumas editoras descobriram recentemente que o grosso da população, vivendo em outros cantos do país, anseia em ter suas regiões retratadas pela literatura policial. Com isso, surgiu na Alemanha o que é chamado de "policial regional", trazendo, ao lado de outras grandes cidades, pequenos povoados como cenário.

É interessante notar que o novo gênero é lido não somente nas regiões onde os romances se passam, mas em todo o território alemão. Isso, obviamente, dá-se em função da qualidade dos textos produzidos. Alguns dos regionais são tidos como excelentes, como o já clássico Anita Drögemöller e a Paz à Beira do Rio Ruhr ( Anita Drögemöller und die Ruhe an der Ruhr), de Jürgen Lodemann, ou os policiais de Jacques Berndorf, que têm a região montanhosa do Eifel, no sudoeste do país, como cenário.

Toque local

Enquanto a protagonista Anita Drögemöller faz uso do dialeto da região do Vale do Ruhr, as personagens que vivem nas montanhas do Eifel são fiéis ao perfil dos moradores da região, conhecidos por serem reservados. O que conta, no caso dos romances policiais de província, é a autenticidade na reprodução não só do cenário - como nomes de pessoas, instituições ou ruas - mas de um conhecimento profundo sobre a mentalidade e as peculiaridades da população local. "É fácil perceber se um autor vem mesmo da região, na qual se passa seu romance, ou se ele só finge que conhece o lugar", observa Britta Schmitz, da editora Emons, de Colônia, especializada em romances policiais regionais.

Quanto mais autêntica a reprodução do cenário, melhores são os resultados nas vendas. Berndorf já conseguiu atingir a cifra de mais de dois milhões de exemplares com seus "policiais do Eifel". No entanto, "em função da necessidade de comercialização, esses romances regionais precisam despertar também o interesse de pessoas que vivem em outros lugares", conclui Ulrike Rodi, da editora Grafit, de Dortmund.

Funções sociais Questiona-se por que os leitores de hoje passaram a gostar de ler sobre assassinatos, seqüestros e outros crimes que se passam à porta de suas casas, deixando de lado cenários clássicos de metrópoles como Nova York, Londres ou Paris. As razões disso vão além da mera sensação de rever o ambiente conhecido. Um romance policial traz, via de regra, a quebra da ordem social através de um crime. A insegurança instaurada, no entanto, é sempre eliminada pela perspicácia de um detetive, representante do bem.

Desta forma, o horror que se passa ao lado é apenas temporário. Com um happy end, a paz volta a reinar e a ordem de sempre é recuperada. Outra característica capaz de anestesiar e tranqüilizar os leitores é a possibilidade de uma análise lógica, previsível e racional do crime. Nesse sentido, pode-se dizer que o romance policial apropria-se de um universo incomensurável, tornando-o limitado e digerível para o leitor.

O romance policial regional apela assim para um cerceamento duplo: de um lado através de um cenário geograficamente limitado - conhecido do grupo alvo de leitores - e de outro através de seu conteúdo, que recupera a ordem social estremecida por um crime.

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