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Cultura

O homem também é um animal

Ao mesmo tempo em que os paparicamos em salões de cabeleireiro especiais, nós torturamos os animais nos laboratórios e fazendas. Uma exposição em Dresden ilustra com detalhes uma longa e complexa "relação paradoxal".

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A um passo do macaco: uma visitante admira o crânio de um Homo habilis, com dois milhões de anos

"Meu reino por um cavalo!" – esta frase é exclamada pelo protagonista de Ricardo III, no clímax do drama. Quer fato, quer fruto da imaginação de William Shakespeare, a verdade é que a participação dos animais na história humana é bem mais intensa do que nos damos ao trabalho de lembrar.

Um exemplo: entre os fatores que culminaram nas revoluções burguesas de 1789 na França e de 1848 na Alemanha esteve a indignação das classes ascendentes contra os direitos de caça da aristocracia. Os nobres haviam transformado em privilégio próprio uma atividade que originalmente constituía a base da sobrevivência da sociedade; uma decisão que contribuiu decisivamente para seu ocaso.

Também notável é a presença de animais na heráldica: a águia da Alemanha, Alabama e Pará, o urso de Berlim, o canguru e a ema da Austrália. Os exemplos são inúmeros e incluem até seres fantásticos, como o unicórnio que acompanha o leão coroado nas armas do Reino Unido.

A humanidade tem utilizado os animais tanto como símbolos de força, beleza e poder – normalmente associado com a própria tribo ou nação – quanto como instrumento ofensivo contra os "outros" (nas caricaturas da Alemanha nazista, os judeus costumavam ser apresentados na forma de ratos, da mesma forma que os japoneses para os Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial).

Uma história tortuosa

Uma exposição em Dresden ilustra estas e muitas outras facetas de uma complexa interação: Ser humano e animal: cenas de uma relação paradoxal vai de 22 de novembro a 10 de agosto de 2003 no Museu Alemão de Higiene. As peças expostas vão do divertido ao macabro, de um extinto demônio empalhado da Tasmânia ao gato-robô japonês NeCoRo, passando por um vestido de noiva canino e pelos esboços originais de Norman Foster para o brasão do novo Reichstag, em Berlim.

Uma listagem das diversas seções e subseções dá uma idéia da riqueza da mostra:

  • Animais queridos: Paixões da caça – Do parque de animais ao zoológico de DNA – Águia de brasão e cão de briga – De cachorrinho de colo a gato-robô
  • Animais explorados: Criados mudos – Indústria da carne – Sacrifícios e doadores de vida – A segunda pele – Direitos humanos para os hominídeos
  • Delimitação: Inquilinos secretos – Macaco nu ou coroa da criação
  • União: Feras da inteligência – Mito e seres híbridos – Ser humano: um modelo fora de linha?

    Liberdade para as rãs

    Quão irracional é um macaco? Perguntas desse tipo nos vêm à mente ao contemplarmos um quadro da artista Julia. Uma chimpanzé. Um dos aspectos mais provocativos dessa mostra é lembrar que não há um abismo divino ou evolutivo nos separando dos "irracionais", mas sim um contínuo. Ou seja: nós estamos mais próximos dos outros animais, em termos de inteligência e comportamento, do que seria confortável acreditar. Essa conscientização prepara o caminho para uma eventual – utópica? – emancipação dos animais.

    Um dos objetos expostos é o programa de simulação por computador SimMuscle, que poderá vir a substituir as desafortunadas rãs de laboratório na mesa de dissecção. Também o Great Ape Project, de Peter Singer e Tom Regan, representa um passo no combate ao chauvinismo humano: os dois filósofos exigem direitos humanos para nossos parentes biológicos, os macacos antropóides.

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