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Alemanha

O fracasso econômico da reunificação alemã

Quinze anos depois, Alemanha faz balanço do programa de transferência de recursos para o Leste. E o resultado não é positivo: surgem versões de mau uso do dinheiro direcionado à ex-região socialista.

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Para onde vai o Leste alemão?

Na próxima segunda-feira (03/10), serão comemorados os 15 anos da reunificação da Alemanha. Entretanto, embora politicamente o país se mantenha unido, o abismo econômico entre Leste e Oeste é visível: 18,2% da população economicamente ativa da ex-Alemanha Oriental está sem trabalho – quase o dobro do índice de 9,6% do lado ocidental.

Desde 1990, a região perdeu cerca de 2 milhões de habitantes. A maioria dos migrantes é composta por jovens que buscam oportunidades de estudo e trabalho nos grandes centros do Oeste.

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Desemprego: 18,2% na ex-Alemanha Oriental

Ao menos economicamente, o consenso é que o processo de reunificação fracassou. O 1,3 trilhão de euros (3 trilhões de reais) investidos nos últimos 15 anos não foi suficiente para tirar o Leste alemão da situação falimentar.

Embora a infra-estrutura da região – estradas, ferrovias e telecomunicações, por exemplo – tenha melhorado muito, o principal parece ter ficado de fora: mesmo após grandes transferências de dinheiro, a ex-Alemanha socialista não tem capacidade de andar com as próprias pernas.

Economia interrompida

As indústrias pesadas da era comunista, tecnologicamente superadas, foram fechadas. De uma hora para outra, milhares de pessoas ficaram sem emprego. Além disso, uma enorme quantidade de produtos manufaturados no Oeste finalmente chegaram ao Leste – incluindo Coca-Cola, como retratado no filme Adeus, Lênin, de Wolfgang Becker.

De acordo com alguns analistas, porém, o Oeste não pode ser visto como o "primo rico e generoso". Isso porque o processo de reunificação teria sido confundido com a canibalização da economia do Leste.

Diversas empresas foram fechadas, e as grandes companhias do lado ocidental, que de repente viram um mercado de 17 milhões de pessoas se abrir, não tinham interesse no desenvolvimento de uma economia própria na região que ainda dava os primeiros passos no capitalismo.

Resultado: salvo grandes centros como Dresden e Leipzig, que conseguiram atrair empresas do Oeste, a economia da ex-Alemanha Oriental é pouco competitiva, formada por empresas de pequeno porte e que atendem somente o mercado local.

Apesar de o país ter sido unificado, a economia continua a separar a Alemanha em duas: a renda média do país é de 36 mil euros ao ano. Quando somente o Leste é considerado, a média cai para 22,8 mil euros anuais.

Ajuda insuficiente

Mit einem Schild mit der Aufschrift Wo sollen wir hin wovon sollen wir leben?

E agora, para onde a gente vai?

Parte do 1,3 trilhão de euros transferidos desde 1990 veio do Pacto de Solidariedade, um programa de ajuda financeira ao Leste. Os trabalhadores do Oeste pagam, há 15 anos, 5,5% do valor bruto de seus salários para financiar projetos de infra-estrutura na ex-Alemanha Oriental. O pacto vale até 2019 – nos próximos 14 anos, está prevista a transferência de 156 bilhões de euros da renda ocidental para o Leste.

Entretanto, todo o esforço para financiar a região oriental não parece ser suficiente, uma vez que os Estados – muitas vezes, abertamente – usam o dinheiro destinado para infra-estrutura para cobrir buracos orçamentários.

Dieter Althaus, governador da Turínguia, um dos seis Estados do Leste alemão, advoga abertamente o emprego das transferências financeiras para amortizar obrigações fiscais.

Na prática, isso já vem ocorrendo. O Estado de Brandemburgo, por exemplo, admite ter desviado 11% do valor destinado a obras estruturais para cobrir déficits orçamentários, embora o Instituto Halle de Pesquisas Econômicas (IHW) diga que o percentual usado para outros fins possa ter chegado a 40%.

Na Saxônia-Anhalt, o governo admite que somente 60% do dinheiro foi usado para a construção de estradas e ferrovias. Entretanto, o instituto afirma que somente 12% foi usado de acordo com as determinações oficiais.

Avaliação negativa

Bundestag Haushaltsdebatte Hans Eichel

Eichel: gráficos mostram déficit

"A intenção do Pacto de Solidariedade está fracassando", disse o diretor do IHW ao jornal Süddeutsche Zeitung, que teve acesso à auditoria do instituto em primeira mão. "O dinheiro deveria provocar crescimento econômico." Entretanto, um representante do governo de Brandemburgo disse que a palavra investimento pode ser interpretada de maneiras diferentes: "Se eu pago um professor, isso não pode ser considerado um investimento?"

O relatório sobre o uso dos fundos do Pacto de Solidariedade será divulgado na segunda-feira, justamente no feriado da reunificação alemã. E os resultados prometem irritar o ministro das Finanças, Hans Eichel, que prometeu à União Européia manter o déficit do orçamento alemão abaixo dos 3%.

Especulações dão conta de que o uso do dinheiro para fins não previstos no acordo inicial pode levar a uma renegociação dos termos do pacto.

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