1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Especial

"O espaço para Deus fica cada vez menor"

Big bang, buracos negros, "energia escura", Günter G. Hasinger, um dos papas da astronomia de raios X, explica, em entrevista à DW-WORLD, por que Deus vai perdendo terreno para a ciência.

default

Imagem em microondas do cosmos: a radiação de fundo

DW-WORLD: Professor Hasinger, o senhor é astrônomo e, por força da profissão, tem diante dos olhos toda a história do universo. O que aprendemos ao espreitar o berçário do cosmos, auxiliados pela radiação cósmica de fundo?

Günter Gustav Hasinger: A radiação cósmica de fundo em microondas (RCFM) foi criada quando a quentíssima "sopa primordial" do cosmos começou lentamente a esfriar. O cosmos tinha uma temperatura aproximada de 3000ºC, 380 mil anos após o big bang. Nestas condições, o plasma – ou seja, o estado de matéria onde elétrons e prótons ainda estão separados – se funde em átomos. Trata-se de um momento extremamente importante, pois súbito o universo se torna transparente. Agora podemos vê-lo, antes era numa névoa densa.

Devido à expansão contínua do universo, a temperatura baixou cerca de mil vezes, circulando, como hoje, em torno de 3ºC acima do zero absoluto. A radiação cósmica de fundo é absolutamente homogênea em todas as direções. Em todo lugar é a mesma, até o décimo milionésimo grau centígrado. Entretanto existem diferenças mínimas, uma espécie de ruído uniforme. A partir deste é que se formou a Terra e nós, humanos.

Hoje em dia é um fato consumado que houve uma grande explosão (big gang). Mas quem explodiu, e por quê?

Considerando todo o potencial energético do cosmos – as estrelas, os planetas e tudo o mais –, chegamos à conclusão de que a matéria visível não basta, nem de longe, para compreendermos as leis do cosmos. Precisamos somar a assim chamada "matéria escura" e – esta é uma constatação dos últimos cinco anos – também a "energia escura".

A imagem do big bang não é, na realidade, totalmente correta: em princípio ele ainda está ocorrendo. Pois o cosmos continua se expandindo, as galáxias continuam se acelerando e se afastando umas das outras. A razão para tal é, justamente, essa energia escura, uma espécie de força repulsiva. Ela também existe onde não há "nada". O que classificamos como "nada", por exemplo, o que havia antes do universo, é, mesmo assim, cheio de energia, que borbulha no nada, sem cessar. Desse borbulhar – semelhante a uma panela em fervura – sobe aqui e ali uma bolha, da qual poderia nascer um novo universo.

Mas nada vem do nada, pelo menos é o que diz o ditado popular. Como é possível, no universo, tudo vir do nada?

Temos que mudar nossa imagem do nada. Quando retiramos tudo de um espaço, sempre sobra algo: a energia do vácuo. Esta é maior do que toda a energia contida no universo. Ou seja, o universo "a pegou emprestada", transformou-a em matéria e formou estruturas. O que havia antes, e o que possivelmente se desenrola por trás de nosso universo, sobre isso só podemos especular no momento, pois ainda não entendemos a física envolvida.

As especulações a respeito são numerosas. Segundo uma delas, haveria os assim chamados "multiversos", exatamente como numa panela, onde as bolhas sobem sem cessar. Isso significaria que o nosso universo é apenas um dentre muitos. Uma outra teoria parte do princípio de que o nosso universo toma formas diversas, em seus diferentes pontos. Talvez possua prolongamentos em forma de tubos, nas pontas, que por vezes se estendem. Talvez haja muitos pontos tão distantes que nunca os alcançaremos. E onde as leis físicas são completamente outras.

Leia sobre buracos negros e a formação dos corpos celestes na página seguinte

Leia mais