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Mundo

O dilema da oposição a Saddam

Um congresso sobre o Iraque reuniu em Berlim representantes dos grupos oposicionistas iraquianos. O objetivo do evento foi analisar os prós e contras de um eventual ataque militar contra o regime de Saddam Hussein.

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A União Patriótica do Curdistão (PUK) já prepara batalhão feminino para a revolta contra Saddam

O dilema do oposicionistas iraquianos ficou mais que claro. Por um lado, não desejam – nem podem desejar – um ataque militar contra o seu país, pois isto atingiria seu próprio povo. Contudo, seu objetivo é impor uma mudança de regime em Bagdá, o que é bastante improvável, sem uma intervenção militar.

Segundo o representante xiita Safar Mahmud, membro do Conselho da Resistência Islâmica do Iraque (SCIRI), "recusar a guerra, sem oferecer uma outra solução para o problema iraquiano, serve apenas para apoiar o regime vigente e prolongar o sofrimento do povo, que já teve de fazer mais sacrifício do que uma guerra exigiria".

Falta de alternativa

No tocante a uma solução alternativa para a guerra, os oposicionistas iraquianos mostraram-se desnorteados e reticentes. A invariável tônica das sugestões: pressão política contra o regime e apoio concreto à oposição. Uma coisa, porém, ficou clara. Com tal programa, não se logrará uma mudança rápida do status quo no Iraque.

De sua parte, os grupos oposicionistas criticaram a pressão internacional contra Saddam Hussein como unilateral: ela se prende excessivamente à questão do controle de possíveis armamentos de extermínio em massa. Isto gera a impressão de que as enormes violações de direitos humanos no Iraque não têm qualquer importância, desde que o país não represente mais uma ameaça externa.

Tal ponto foi ressaltado sobretudo pelo representante da União Patriótica do Curdistão, Latif Rashid: "Desejamos que a comunidade internacional envie não apenas inspetores de armamentos, mas também inspetores de direitos humanos. A resolução 688 do Conselho de Segurança da ONU exige explicitamente um fim da repressão e a observância dos direitos humanos no Iraque. Esta resolução foi inteiramente ignorada pelo Iraque. Isto está provado pelo relatório da ONU sobre as violações de direitos humanos e o genocídio praticado pelo regime iraquiano."

Esperança de rebelião

Ao pleitear o fim da repressão política, a oposição iraquiana apega-se a uma esperança: se o regime de Saddam Hussein não puder mais reprimir toda e qualquer atividade oposicionista dentro do país, haverá então uma revolta, como a que ocorreu em 1991, logo após a primeira guerra do Golfo. Na época, as forças adversárias do regime de Bagdá lograram obter o controle sobre uma grande parte do país. Mas Saddam Hussein reagiu impiedosamente e massacrou a rebelião de maneira sangrenta.

A fim de evitar que isto se repita, o representante xiita Safar Mahmud estaria disposto a aceitar um apoio militar externo para a eventual revolta, no caso de as Forças Armadas iraquianas voltarem-se contra o seu próprio povo.

Não há, no entanto, uma linha comum entre os distintos grupos de oposição do Iraque. Alguns deles vêem um ataque militar externo como única alternativa para impor a mudança. Outros, como o representante curdo Latif Rashid, rechaçaram inteiramente uma intervenção militar externa.

Os adversários de Saddam Hussein aumentaram consideravelmente a cooperação entre si, nos últimos meses. Apesar disto, o congresso de Berlim deixou claro que ainda são enormes as divergências entre os diversos grupos e partidos de oposição.

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