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Cultura

O controverso "Medo dos Tiros"

Festival de Cinema de San Sebastián premia o primeiro filme alemão em seus 51 anos de existência. Desprezado pela crítica, o longa é um "thriller poético", segundo o diretor Dito Tsintsadze.

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Diretor Dito Tsintsadze: Concha de Ouro e críticas negativas

A divulgação do vencedor da "Concha de Ouro" este ano em San Sebastián, na Espanha, foi recebida pelos jornalistas presentes ao festival com vaias e reclamações. Indo contra as opiniões que gostariam de ver o prêmio máximo para o espanhol Te doy mi ojos, os jurados foram responsáveis pelo que o diário El País chegou a chamar de "um escândalo": a entrega do prêmio máximo ao alemão Schussangst ( Medo dos Tiros). Com uma boa dose de humor negro, o longa narra a história de Lukas, um desertor de guerra, que enquanto cumpre seu serviço civil levando comida a idosos e enfermos, se apaixona perdidamente e acaba por perder o controle sobre sua própria vida. Baseado em um romance de Dirk Kurbjuweit, o filme retrata as desventuras de um jovem pacifista, que termina cometendo um assassinato.

"Pais da violência" - Para o diretor (natural da Geórgia e radicado na Alemanha, que levou um Leopardo de Prata em Locarno com On the Verge, em 1993, e chamou a atenção da crítica em Cannes três anos atrás com a comédia Lost Killers), as críticas recebidas por Medo dos Tiros são estimulantes.

"A vida é controversa e o cinema deve ser seu espelho", comenta Tsintsadze a recepção negativa de seu longa na cidade espanhola. Quanto ao filme, "é uma história forte e trágica, que fala da perda da identidade de um jovem. O tema é a solidão e a frustração no amor, que são os pais da violência".

Cinema engajado - O centro das discussões em San Sebastián girou no entanto este ano em torno do polêmico longa espanhol La Pelota Vasca, La Piel contra La Piedra, que marca, segundo o diário Der Tagesspiegel, a "volta do cinema engajado" como tendência atual da produção européia. "Filmes que abandonam o salão da arte pura e voltam o olhar para o mundo, tomando posições tanto morais quanto políticas", analisa o jornal alemão.

O controverso La Pelota Vasca, La Piel contra La Piedra, de Julio Medem, é uma documentário de viés político sobre o País Basco, que chegou a causar furor em Madri antes mesmo de ser visto. O diretor Medem foi acusado de não olhar criticamente o bastante para a história dos atos terroristas cometidos pela organização separatista ETA.

O longa, meticulosamente montado, dá voz a mais de 70 pessoas, entre elas artistas, políticos, defensores e vítimas do terrorismo, oferecendo ao espectador uma galeria de entrevistas permeada por canções bascas.

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