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O computador no ensino: mera ilusão?

av21 de novembro de 2002

Será que o computador tomará o lugar do professor na sala de aula? Segundo os organizadores do Education Quality Forum 2002, que se realiza pela primeira vez em Dortmund, a resposta é "não".

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Mouse, monitor e teclado substituem o lápis e o cadernoFoto: Bilderbox

A presença física e a dedicação pessoal do mestre continuam sendo fatores indispensáveis para o aprendizado bem-sucedido, tanto na escola como na universidade. Mais um motivo para os cientistas, professores, especialistas em e-learning e representantes dos setores administrativo e econômico presentes ao encontro examinarem a "Atuação e eficiência das novas tecnologias no ensino", com o fim de traçar um quadro crítico e desenvolver perspectivas realistas. Além de diversos acadêmicos de universidades dos países de língua alemã, entre os palestrantes constam também funcionários da Microsoft e da Sun Microsystems.

Paralelamente, a exposição "Mundos educativos do futuro" ilustra as atuais tendências e modismos e oferece visões do emprego da multimídia na sala de aula, que em breve poderão ser parte do nosso dia-a-dia. Nessa mostra, instituições de pesquisa e firmas comerciais encorajam a experimentação com uma palheta de protótipos e produtos que vão de sistemas de realidade virtual a plataformas de ensino e aprendizado. Estas últimas constituem uma variação do já consagrado princípio de ensino a distância. Os organizadores esperam que o fórum sobre qualidade da educação se torne um evento regular.

Alemanha: Terceiro Mundo informático?

Entre os temas debatidos estão as exigências técnicas para o ensino informatizado. Em julho de 1998, o então presidente da Alemanha Roman Herzog lançou a campanha "Fit fürs Informationszeitalter" (Em forma para a era da informática) que, entre outras iniciativas, envolveu o investimento de milhões de marcos para equipar as escolas com sistemas de computação.

No entanto, grande parte das instituições alemãs de ensino está longe de satisfazer os padrões técnicos mínimos para uma aula multimídia: faltam computadores e acesso à internet, e as redes internas não agüentam o volume dos cliques. Conseqüência: no meio da aula, o sistema "entrega os pontos" ou o processo de baixar dados da internet demora muito mais do que esperado. Para os professores, isto pode significar uma brusca mudança de programação e, para os alunos, o perigo de que a atração da multimídia se transforme em frustração tecnológica.

O conto do computador

E, enquanto o valor didático dos meios informáticos não está firmemente estabelecido, paira a suspeita de que todo esse investimento seja em vão. O Economic Journal, publicado na Inglaterra, divulgou recentemente o estudo de dois pesquisadores, um norte-americano e um israelense: durante um ano eles compararam o rendimento de estudantes da quarta à oitava série, que haviam aprendido a ler, escrever e fazer contas com ou sem o auxílio do computador.

No geral, os alunos "informatizados" não apresentaram qualquer vantagem diante de seus colegas. Pelo contrário: seu rendimento em matemática foi até mesmo inferior ao dos que aprenderam pelo método tradicional. Joshua Angrist e Victor Lavy são taxativos: como o estudo demonstrou que o computador pode até mesmo influenciar negativamente o desempenho escolar, os 100 milhões de dólares investidos pelo Estado de Israel na compra de computadores escolares foram dinheiro jogado fora. Melhor seria financiar vagas de docentes com essa quantia, concluíram os cientistas.