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Mundo

O chá beneficente do G-8

Ironicamente, o encontro do G-8 toma a forma de chá das cinco beneficente. No lugar da pauta econômica, fala-se de Oriente Médio e África. Bush e Schröder trocam amabilidades pela primeira vez após a guerra do Iraque.

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Schröder e Bush: amabilidades após longa pausa

Não fosse o fato de serem os chefes de governo dos sete países mais ricos do mundo, ao lado da Rússia, o encontro de cúpula do G-8, que acontece na pequena Sea Island, na costa norte-americana, poderia ser confundido com uma reunião de organizações de ajuda humanitária. Afinal, a fachada trata de reformas em prol da democracia no Oriente Médio, propõe medidas de combate à Aids na África, planeja um "monitoramento da fome" no continente e medidas para a criação de missões de paz.

O problema maior do clã dos mais ricos é talvez não perceber que os países pobres – árabes, africanos ou onde quer que seja – devem tomar, eles próprios, as rédeas de seus destinos. Sem a tutela de qualquer grande potência. "Os americanos se atêm ao costume colonial de estabelecer o que é bom para o outro", comenta o diário alemão Süddeutsche Zeitung.

Em entrevista após sua conversa com George W. Bush na última terça-feira (09), o premiê alemão Gerhard Schröder tateou a questão, reafirmando que "não se pode dar a um lado a impressão de que o outro está querendo forçá-lo a qualquer direção política".

De vendedores de armas a mediadores da democracia

G8-Gipfel Sicherheitsmaßnahmen Savannah Sea Island

Cúpula do G-8 em Sea Island: rígido esquema de segurança

Isso, diga-se de passagem, é certamente o que pensaram os chefes de governo do Egito, Arábia Saudita e Marrocos, ao recusar o convite para dividir o banquete em Sea Island ao lado dos poderosos do planeta. Segundo Schröder, não se trata de obrigar os países do Oriente Médio a aceitar qualquer proposta política, mas simplesmente de fomentar o diálogo entre as nações envolvidas em conflitos.

"Numa região na qual os EUA e a Europa se apresentam na maioria das vezes apenas como compradores de petróleo ou vendedores de armas, o debate iniciado em torno da democracia é um progresso", observa um comentarista saudita citado pelo Süddeutsche Zeitung.

O esboço proposto por Bush até agora sugere que o Iraque venha a servir de modelo para tais reformas. A questão é saber quando e como o país completamente destruído física e socialmente vai poder servir de exemplo para qualquer coisa. A pseudo-abertura dos EUA para dialogar com o mundo árabe aconteceu inclusive poucas horas depois que o Conselho de Segurança da ONU conseguira aprovar a nova resolução para o Iraque.

Resolução agridoce

G8 2004 Gipfel auf Sea Island Irak Ghasi Yauar

Novo presidente iraquiano Ghasi Yauar em Sea Island

Esta pretende servir como ponto de partida para uma nova ordem no país. O esboço apresentado pelos governos dos EUA e Reino Unido foi modificado quatro vezes nas últimas três semanas, até conseguir ser aprovado pelo Conselho da ONU, após algumas oscilações por parte dos governos francês e russo.

A resolução regulamenta a passagem do poder das mãos dos governo norte-americano à população local. Mais um atentado ocorrido no Iraque exatamente no dia em que a resolução era aprovada (08) deixa claro o que está ali à espera da comunidade internacional.

A aprovação da resolução deixa explícito que Washington deu a mão à palmatória, assumindo, de uma forma ou de outra, a própria fragilidade. Para a Casa Branca e seus aliados, trata-se de uma resolução agridoce.

A porção amarga é atribuída à necessidade da superpotência mundial de ter que passar a bola à comunidade internacional, por não conseguir ir até o fim sozinha. O lado doce é o fato de que Bush só fez isso quando bem entendeu. E principalmente quando a presença da ONU no país pareceu mais adequada aos interesses geopolíticos e econômicos norte-americanos.

Empresas alemãs na reconstrução do Iraque

G8 2004 Gipfel auf Sea Island Protest

Protestos anti-G-8 nas praias de Sea Island

Na conversa entre Bush e Schröder em Sea Island – ambos sem os ternos e gravata de praxe, emanando um clima de amiguinhos, trocando amabilidades e até rindo juntos do cachorro do presidente norte-americano – a participação das empresas alemãs na reconstrução do Iraque talvez tenha sido o ponto de mais importância, discretamente tocado entre uma e outra conjetura acerca dos destinos do Oriente Médio.

Seja pela razão que for, fato é que o gelo entre Berlim e Washington parece dessa forma praticamente derretido. Os dois chefes de governo ultrapassaram a meia-hora de conversa programada, enquanto Bush elogiava a atuação da Alemanha no Afeganistão, a disponibilidade de Berlim em se engajar pela paz no mundo e a participação do país em prol da nova resolução para o Iraque. Tudo para exalar uma atmosfera extremamente amena, bastante diferente daquela do último encontro do G-8, na francesa Evian, há um ano.

Simbolicamente, Schröder, contrariando o protocolo, seguiu pelas ruas de Sea Island não na limusine negra de praxe dos chefes de governo, mas dirigindo ele próprio um colorido e pequeno carro elétrico nas cores da bandeira alemã. Guiando seu próprio destino, o premiê alemão foi ao encontro de Bush para a "reunião mais calorosa desde 2003", segundo estampou a mídia nos dois países.

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