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Mundo

O caminho para a paz no Oriente Médio é longo

Entrou em vigor no Líbano a trégua prevista pela resolução 1701 da ONU. Até que ponto ela será duradoura? Será o primeiro passo para um cessar-fogo permanente? Peter Philipp expõe seu ponto de vista.

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Após semanas de debates, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas conseguiu encontrar uma fórmula para o cessar-fogo no Oriente Médio . Desde a manhã desta segunda-feira (14/08), as armas estão caladas. Se tudo fosse tão fácil assim. A resolução 1701 não seria a primeira resolução da ONU sobre a região a despertar esperanças que não são cumpridas.

Não que o Conselho de Segurança não tenha se empenhado; é que suspender as lutas das últimas semanas foi muito mais complicado do que em outras situações críticas. Principalmente por não se tratar de uma guerra entre dois Estados com Forças Armadas regulares, e sim de um desses conflitos "assimétricos" que passaram a substituir as guerras "tradicionais".

O sucesso ou o fracasso da resolução da ONU não depende da boa vontade dos membros do Conselho de Segurança, mas única e exclusivamente das partes conflitantes. E ambas evidentemente só estiveram dispostas a concordar porque começaram a perceber que não dava mais para continuar.

Beco sem saída para ambos

O governo israelense não admite abertamente, mas deve ter reconhecido que se entregou a uma aventura militar impossível de ser vencida em qualquer que fosse a frente. Mesmo o mais forte Exército da região se torna impotente diante de uma tropa bem equipada e altamente motivada como a do Hisbolá, conhecedora do terreno em que está se movimentando. Foi uma idéia maluca acreditar que se poderia desbaratar ou expulsar o Hisbolá por meio de ataques aéreos.

Israel perdeu também diante de todos aqueles no Líbano que não estavam de acordo com o Hisbolá. Os ataques maciços contra a população civil e a infra-estrutura do país acabaram com qualquer simpatia de que Israel gozasse no Líbano.

A questão não muda nem mesmo no plano internacional. Israel se queixa de que os meios de comunicação noticiaram mais sobre o sofrimento dos libaneses, dando a ele mais destaque do que ao dos israelenses. Ele foi alvo de destaque porque foi muito maior e porque foi motivado por um país cujo chefe de governo afirmou ainda recentemente que dispunha do Exército mais moral do mundo.

Mas o Hisbolá também deve ter começado a reconhecer que não tem condições de levar adiante uma guerra como essa por muito tempo. É verdade que a organização surpreendeu a todos – principalmente aos israelenses – com sua tenacidade e perseverança. Mas com o tempo ela acabaria sucumbindo aos maciços ataques dos israelenses, levando a si própria e o Líbano à desgraça.

Até agora a responsabilidade de ter começado essa guerra cabe ao Hisbolá. Mas também esse foi o único grupo de resistência capaz de se apresentar de forma a ser levado a sério. Se a guerra continuasse escalando, o Hisbolá também acabaria perdendo esse bônus de simpatia junto à população libanesa.

E agora? O caminho de uma trégua – se é que ela será duradoura – a uma pacificação permanente deverá ser ainda muito longo. Certamente ainda demorará semanas até que as tropas israelenses possam ser substituídas no sul do Líbano por pelotões libaneses e internacionais. Antes disso, nem os israelenses pretendem deixar o país, nem o Hisbolá pretende depor as armas.

Peter Philipp, jornalista da Deutsche Welle, perito em Oriente Médio, trabalhou durante 23 anos como correspondente em Israel.

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