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Economia

O Banco do Sul nasce com apoio, mas também com desafios

A ata de criação do Banco do Sul foi assinada em Buenos Aires. A instituição é recebida com tranqüilidade pelo sistema financeiro internacional. Mas os sul-americanos terão importantes tarefas a resolver.

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Ministros sul-americanos das Finanças, durante os preparativos para o banco

O Banco do Sul foi criado neste domingo (09/12), em Buenos Aires, pelos líderes dos países participantes, que estavam na cidade para a posse da nova presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner. A criação do banco para o desenvolvimento regional, que é visto por muitos como "alternativa ao Fundo Monetário Internacional", não causou incômodo aos mercados e ao sistema financeiro internacional. Mas ainda há perguntas fundamentais sobre a operação desta instituição sul-americana.

A DW-WORLD.DE reuniu as opiniões de diferentes instituições financeiras e bancárias sobre a fundação do Banco do Sul, do qual fazem parte sete países: Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

O FMI está tranqüilo

Internationaler Währungsfond in Washington

O FMI recebeu bem o Banco do Sul

Conny Lotze, porta-voz do FMI em Washington, disse à DW-WORLD.DE que "os objetivos do Banco do Sul – melhorar as condições de vida da população na América Latina e promover a integração regional – contam com todo o nosso apoio. Sempre é bom que fluam mais recursos a zonas do mundo que requerem investimentos".

Isto não impede que surjam algumas reservas quanto a detalhes ainda não definidos na operação do Banco do Sul. "Ainda é preciso conhecer como a estrutura e as políticas dessa instituição serão formadas. Mas percebemos que o que está no centro do debate agora é o financiamento do desenvolvimento. Do nosso ponto de vista, isso é algo digno de se levar em conta", afirmou a porta-voz do FMI.

Autonomia legítima

Na Alemanha, a ministra de Cooperação Econômica, Heidemarie Wieczorek-Zeul, também falou sobre o tema. Em entrevista ao diário berlinense Tagesspiegel, ela considerou que a intenção de uma maior autonomia na promoção do desenvolvimento é "legítima", pois "o sistema financeiro atual apresenta algumas deficiências".

No entanto, "uma maior concorrência entre os bancos dedicados à promoção do desenvolvimento pode levar a que se abrandem alguns padrões para a concessão de fundos, no que se refere ao investimento em infra-estrutura ou em meio ambiente. Isto não deveria acontecer em nenhuma circunstância", apontou a ministra alemã.

Capital suficiente?

Deutsche Bank Hauptquartier in Frankfurt am Main

O Deutsche Bank não vê concorrência entre bancos de desenvolvimento

Por parte de instituições como o Deutsche Bank também não parece haver maiores temores frente ao surgimento do Banco do Sul. Markus Jäger, analista de mercados do banco alemão em Nova York, aborda em conversa com a DW-WORLD.DE outro assunto técnico que está sendo questionado sobre a instituição da América do Sul: o capital inicial, que muitos consideram insuficiente, de 7 bilhões de dólares. Sendo que o Brasil entrará com a maior parte dos recursos do banco, cerca de metade do valor investido.

Jäger destaca que "se compararmos esta soma com o capital do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ou do Banco Mundial (Bird), trata-se de um valor muito, muito pequeno. Mas depende muito dos projetos que o Banco do Sul se proponha a realizar".

A operação do Banco do Sul também não colocará em xeque os mercados internacionais. "Será um fenômeno paralelo, que se desenvolverá sobretudo em níveis médios e baixos de governo. Os níveis primários e centrais dos setores públicos continuarão sendo terreno de ação do BID ou do Bird. Não vejo muita concorrência num futuro próximo entre as instituições", considera o analista do Deutsche Bank.

As vantagens objetivas de instituições multinacionais como o BID e o Bird frente ao Banco do Sul não se devem apenas a fatores como a soma do capital, disse Jäger. "Também contam com maior experiência e com uma equipe de trabalho muito capaz. Então um dos primeiros desafios consistiria em atrair talentos, e não está claro como o Banco do Sul pretende enfrentar esta situação".

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