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Mundo

"O atual diálogo aprofunda o abismo entre as culturas"

Em entrevista exclusiva à DW-WORLD, o príncipe da Jordânia, El Hassan bin Talal, defende novas formas de diálogo e cooperação entre o Ocidente e o mundo árabe.

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Príncipe El Hassan Bin Talal

DW-WORLD: Na Europa há quem diga que conferências deste tipo impedem mais do que ajudam a integração de jovens árabes em sociedades européias. O senhor concorda com isso?

Príncipe Hassan: Não, pelo contrário. Quando Hans Küng elaborou a ética mundial, a cultura da participação estava no foco central. E, de fato, o significado da participação da juventude se impõe em vários níveis. Jovens de origem árabe contribuíram para acabar com a onda de violência na França. Mas também na Alemanha há iniciativas de jovens que se dedicam a viabilizar uma melhor integração dos árabes que vivem no país. É importante que se respeite a identidade cultural deles, longe de qualquer bitolamento.

O que o senhor espera dos jovens árabes que vivem na Europa, para que estes melhorem suas chances de integração nas sociedades majoritárias européias?

Os jovens árabes contribuem com o bem-estar econômico na Europa. Deve-se reconhecer este fato e deixar de vincular os árabes, de forma instintiva e generalizada, com terroristas e retrógrados. Tanto no Oriente quanto no Ocidente deve-se evitar cair na armadilha de uma suposta "luta das culturas". Porque no conflito atual não se trata de uma luta entre culturas e, sim, apenas de um concorrência de idéias e identidades, para as quais deveriam ser oferecidos fóruns e condições adequadas.

Como o senhor acompanhou o conflito das charges e suas conseqüências?

Eu defendi o ponto de vista de que a liberdade de imprensa inclui consciência de responsabilidade, e responsabilidade pelos nossos atos tem de continuar sendo nosso denominador comum. Quando ocorrem equívocos desse tipo, é oportuno ter em mente o fato de que a grande maioria dos muçulmanos respeita quem tem mentalidade diferente. Mas como as notícias negativas são as que se propagam mais rápido, persiste o problema do populismo.

Não são poucos os que dizem que o diálogo entre o mundo árabe e a Europa encontra-se num beco sem saída. O senhor concorda com isso?

O diálogo atual, que se baseia no fato de que o mundo árabe faz exigências econômicas ao Ocidente e, em contrapartida, o Ocidente espera do mundo árabe uma adaptação cultural na forma de concessões, aprofunda o abismo entre as duas culturas, especialmente entre pobres e ricos. O que nós precisamos é um diálogo que rejeite o terrorismo e, ao mesmo tempo, respeite e proteja incondicionalmente a vida humana.

Qual é a sua expectativa em relação ao papel da Alemanha no diálogo europeu-islâmico?

O orientalismo alemão prestou um grande serviço ao desenvolvimento de uma melhor compreensão dos interesses do mundo árabe, porque era realista e desprovido de intenções conquistadoras como foi parte do orientalismo moderno. Essa atitude poderia servir de base para o papel da Alemanha no diálogo europeu-islâmico.

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O príncipe da Jordânia, El Hassan bin Talal, atua há anos em vários projetos humanitários e interreligiosos, concentrando sua atenção na dimensão humana dos conflitos. Entre outros cargos, exerce atualmente a presidência do Fórum Arab Thought e do Clube de Roma, é vice-presidente da Fundação de Pesquisa e Diálogo Interreligioso e Intercultural (com sede em Genebra, na Suíça) e porta-voz da Conferência Mundial sobre Religião e Paz.

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