O alemão e o amor pelos animais | Descubra os clichês e as curiosidades sobre os alemães | DW | 11.05.2016
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Alemanha, modo de usar

O alemão e o amor pelos animais

Às vezes, o alemão se dá melhor com seu cachorro do que com os vizinhos. É o que se costuma dizer. O jornalista alemão Peter Zudeick analisa o clichê sobre o amor dos alemães por seus animais de estimação.

Em bares e restaurantes da Alemanha, é comum encontrar provérbios espalhados pelas paredes, sabedorias gravadas em plaquetas de madeira ou cobre. "Deus ajuda a quem cedo madruga", é um exemplo. Ou: "Age sempre com fidelidade e honestidade". Ou: "A felicidade quebra fácil como vidro".

Pudel Nico

Butz? Ou Mefistófeles?

Minha frase favorita é esta: "Que eu traga no coração acima de tudo o meu cão, tu, homem, dizes ser pecado. O cão me é fiel até na tempestade; já o homem, nem no vento". O provérbio é atribuído a São Francisco de Assis, mas não creio. Deve ter sido dito por um dono de cachorro alemão. De um pastor-alemão, óbvio. Pois os dois são quase sinônimos.

Pode ter sido também o dono de um poodle. No Fausto, de Goethe, Mefistófeles aparece dessa forma. O diabo como poodle. Mas isso não pode ser interpretado como campanha contra a raça. O filósofo Arthur Schopenhauer tinha um poodle como fiel companheiro. De tempos em tempos, o animal era substituído, mas o nome permanecia sempre o mesmo: Butz. E quando o cachorro aprontava das suas, Schopenhauer ralhava com ele: "Gente!".

Mais honestos do que um humano?

Schopenhauer escreveu: "Como poderíamos nos recuperar do eterno fingimento, da falsidade e perfídia dos seres humanos se não fossem os cachorros, cujos focinhos honestos podemos contemplar sem desconfiança". E Schopenhauer não estava sozinho. Franz Kafka disse, por exemplo, "Todo o conhecimento, a totalidade das perguntas e respostas, se encontra nos cães".

Maus und Katze

Gatos são número um na preferência nacional

O rei da Prússia Frederico, o Grande, afirmava: "Quanto mais entendo os seres humanos, mais gosto do meu cachorro". Do escritor alemão Carl Zuckmayer é a frase "A vida sem cachorro é um equívoco". E o ator Heinz Rühmann saiu com a seguinte variação: "Claro que é possível viver sem cachorro – só não vale a pena".

Já o humorista alemão Loriot afirmava: "Uma vida sem um cão pug é possível, mas não tem sentido". Bem, o alemão que se preze adora cachorro. Pelo menos, afirma que sim.

Mais de 80% dos alemães dizem "gostar muito de animais". Como não há cães para todo o mundo, existem ainda os gatos, porquinhos-da-índia, canários e periquitos. E todos são muito bem tratados. Os alemães gastam a cada ano bilhões de euros com seus animais de estimação. Na verdade, na ordem de preferência, os gatos estão em primeiro lugar. Seguem-se os cães.

Ein Wackeldackel auf der Hutablage in einem Auto in Frankfurt am Main. Foto: Frank May

"Wackeldackel": atestado de conservadorismo

Os da raça dachshund, por exemplo, cujas réplicas decoram o interior de tantos automóveis alemães, balançando a cabeça. Os chamados wackeldackel são o símbolo inconfundível da burguesia conservadora. Já o bicho em si é uma raça adorada, tenha ele pelo curto, longo ou duro.

Seu nome normalmente é Waldi, tem pernas tortas e uma enorme autoconfiança. Coisa que não é muito típica dos cães alemães, visto que seus donos não perdem a oportunidade de educá-los e treiná-los devidamente. Na falta de filhos, sobra, então, para o cachorro.