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Cultura

O último apaga as luzes

Berlim divide esse destino com muitas cidades: velhas salas de cinema fecham as portas, cedendo à concorrência dos complexos que se multiplicam. Com elas, vai-se a velha arte dos cartazes pintados à mão.

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Cartaz pintado à mão no cinema ZooPalast, ameaçado de demolição

Hollywood vem, aos poucos, redescobrindo Berlim. Sem dúvida: diversas produções americanas gravadas em estúdios da capital alemã estão aí para comprovar. Além do mais, o Festival Internacional de Cinema de Berlim – a Berlinale – já ultrapassou, em importância internacional, festivais consagrados como Veneza e Cannes. Mas isso não é suficiente para salvar a tradição cinematográfica berlinense da crise que a assola.

Especialmente afetados são cineclubes e salas do circuito alternativo, os chamados "cinemas de repertório", bem como as velhas salas – muitas das quais ajudaram a escrever a história do cinema. Elas são forçadas a fechar as portas pelos altos aluguéis e pela baixa demanda, mas principalmente pela concorrência dos grandes complexos, uma praga que se espalha por todo o país. Só em 2003, seis cinemas encerraram operações na capital alemã. Desde 1998, esse número chega a 11.

E os multiplex imprimem seus próprios cartazes: iguais para salas de cinema em todo o país, sem nada do charme decadente que é característica marcante da tradição cinematográfica berlinense.

Lutando para sobreviver

Michael Werner é o proprietário da última oficina de pintura de cartazes para cinema de Berlim. Quando seu pai abriu o negócio, em 1945, a competição era enorme. Cerca de 20 outras agências operavam no período pós-guerra, mas os negócios cresceram mesmo assim. Em seus tempos áureos, a agência chegou a empregar 20 artistas plásticos para confeccionar os enormes pôsteres – algumas telas chegavam a 34 metros quadrados.

Os concorrentes todos já penduraram as chuteiras e a empresa de Werner opera apenas com um funcionário, o artista Götz Valien. "A grande crise começou em 1999", conta ele à DW-WORLD: "Nos anos 90, após a queda do Muro de Berlim, todos ficaram muito agitados e ambiciosos. A estratégia de marketing estava completamente equivocada", opina. "Eles construíram cinemas grandes demais e não havia audiência para todos eles."

Os mais afetados pela nova situação foram os cinemas na parte ocidental de Berlim, de onde vem a maioria dos clientes de Werner. Os aluguéis subiram e a concorrência com o Leste tornou-se insuportável para muitos deles. Com o leque de clientes diminuindo a cada dia, Werner, agora com 60 anos, luta para manter a firma operando.

Lembrando os dias de glória

Filmbühne am Steinplatz, Kino in Berlin

Sala de cinema 'Filmbühne am Steinplatz', fechada em 2003

Em Berlim, foram inauguradas as primeiras salas de cinema da Alemanha e, durante os dias de glória, nos dourados anos 20, a capital apresentava a maior concentração de salas de exibição do país. Casas tradicionais, como o Gloria Palast, a Marmorhaus e o Filmbühne Wien eram edifícios suntuosos, mobiliados pelos decoradores mais requisitados da época e com orquestras próprias para executar ao vivo as trilhas sonoras.

Mas hoje esses dias não passam de uma lembrança de quem os viveu. Após uma temporada tentando de tudo para sobreviver, exibindo produções baratas como westerns italianos, filmes de artes marciais e até eróticos, a maioria das casas tradicionais teve que fechar as portas.

No prédio da Marmorhaus, situado na avenida Kurfürstendamm, um dos metros quadrados mais caros de Berlim, funciona hoje uma filial da rede sueca de roupas H&M. E o Zoo Palast – que sediou a Berlinale até sua mudança para a recém-construída Potsdamer Platz, o novo centro cinematográfico de Berlim – corre o risco de ser demolido.

Essas casas levam consigo todo um gênero artístico que a firma de Michael Werner procura manter vivo. Uma tradição, lembra Werner, estabelecida por nomes famosos, como Theo Matejko, Josef Fenneker e Ludwig Kainer. Artistas que pintaram cartazes para filmes de diretores históricos: Ernst Lubitsch, F.W. Murnau e Max Ophuls, que ajudaram a moldar o cinema de hoje.

Não se trata apenas de nostalgia, lembra Werner: cada um desses cartazes é único e poderia ser vendido hoje, independente de sua data de confecção. "Se tais pôsteres fossem feitos por alguém sem dotes artísticos, eles acabariam transformando George Clooney em Asterix", diz.

Ele sabe que os dias de sua empresa estão contados, mas nem por isso pensa em desistir. Pode ser que não tenha que ir trabalhar cinco dias por semana, mas ainda há o que fazer. "Não vou desistir até que seja obrigado a fazer isso".

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